Agricultores de Santo Antônio do Descoberto são capacitados pelo projeto Mãos Produtivas

Produtores da agricultura familiar do município de Santo Antônio do Descoberto, participaram da primeira capacitação do projeto Mãos Produtivas – Comércio institucional de alimentos na agricultura familiar, em 20 de junho, na sede da associação Corpo, na comunidade de Pontezinha. O projeto é implementado no município pela Corumbá Concessões S. A. (CCSA), gestora da UHE Corumbá IV, e faz parte do Programa Alternativa Produtiva que, em 2018, está focando na assistência técnica para a produção de alimentos agroecológicos e sua comercialização institucional para a geração de renda na região.

O curso contou com a participação de 20 produtores e com as presenças do vice-prefeito de Santo Antônio do Descoberto, Aleandro Caldato; do secretário de Agricultura, Eduardo Shulter e assessores; e foi ministrado pelos técnicos Cássio Meireles e Danúbia Carrilho. O poder da cooperação nas associações rurais e o sucesso nos trabalhos em grupo foi o tema da capacitação.

Por meio de palestra, exibição de vídeo, música e jogos os participantes trocaram informações e debateram sobre valores fundamentais voltados para o sucesso de trabalho coletivo, como confiança, coragem, responsabilidade, organização e determinação, e foram estimulados a refletir sobre sonhos, abandono de crenças limitantes e ampliação dos horizontes.

O professor aposentado, produtor rural de Luziânia e membro da Coopindaiá, Noé Rabelo, foi convidado para falar aos participantes. Ele fez um histórico da criação das associações rurais do seu município, que foram a base para a formação da Cooperativa do Indaiá, e lembrou que a associação de Santa Rosa, em Santo Antônio do Descoberto, foi a primeira a se organizar, aproveitando as experiências de Luziânia. Sr. Noé usou a sigla Corpo (Comunidade Rural de Pontezinha) para fazer um paralelo com o ser humano: “Como os membros do nosso corpo, cada participante desta associação tem um talento próprio e função diferenciada e todos devem trabalhar em harmonia, pensando nos melhores resultados do conjunto”.

Para o técnico agrícola e gestor em agronegócios da Coopindaiá, Cássio Meireles, os participantes interagiram bastante uns com os outros e demonstraram interesse em conhecer e aprender mais sobre associativismo e cooperativismo.  “Nós trabalhamos com eles, de forma fácil, dinâmicas sobre o poder do associativismo e a força das associações rurais nos municípios”, comentou.

A Coopindaiá presta assistência técnica, jurídica e agronômica à associação Corpo e vai replicar a experiência acumulada da cooperativa desde 2010. “As chaves do sucesso do projeto que se inicia são fé, esperança, persistência e amor à causa, com cada produtor olhando para os outros como companheiros de luta. Só assim, poderemos melhorar as famílias, a região e o Brasil”, disse Luciano Andrade, presidente da cooperativa.

Produção agroecológica

Em apenas três meses de projeto, foi possível à associação conquistar a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP Jurídica) – da associação Corpo. Com esse documento, os agricultores associados terão condição legal para vender seus produtos para a alimentação escolar de instituições do município, através do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Segundo a analista ambiental da Corumbá Concessões, Marinez de Castro, a obtenção da DAP Jurídica e outros documentos necessários para a execução do projeto foi conseguida em tempo recorde. “Dificilmente um grupo de produtores rurais consegue em tão pouco tempo vencer toda a burocracia para ficar apto a começar a comercializar alimentos. E os agricultores do projeto já vêm tentando plantar e vender alimentos, mas esbarravam exatamente na falta de apoio técnico e na dificuldade para acessar canais de venda, e assim ficavam desestimulados. Agora, com trabalho e este apoio da Corumbá Concessões, eles já poderão realizar seus sonhos”, comemora.

Dona Vivaldina Pereira Botelho é um dos exemplos de persistência. Ela iniciou vários empreendimentos em sua chácara, em Pontezinha, como criação de galinha, peixe, minhoca, e plantio de feijão, milho, amendoim e mandioca. Ela conta que desistiu de quase tudo (só sobrou a lavoura de amendoim) devido a acontecimentos que lhe trouxeram prejuízos. Após a capacitação, a produtora diz, confiante, que já sabe do poder que tem uma associação e que está novamente com o ânimo em alta. “A minha expectativa é plantar novamente, sabendo que agora teremos um apoio que vai facilitar a nossa vida. Mas eu vou ter que começar do zero, preparar a terra, e tenho fé que a nossa associação vai esquentar e ter resultados”.

Para o secretário de Agricultura Eduardo Shulter, a capacitação do Mãos Produtivas “é um dos primeiros passos para os produtores da agricultura familiar do entorno de Corumbá IV melhorarem sua visão do associativismo e, principalmente, para que eles acessem os programas institucionais do governo federal e participem do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).

“A prefeitura e a secretaria de Agricultura estão apoiando a Corumbá Concessões nesse projeto, que foi implementado para atender aos produtores interessados e que estão na área de influência do reservatório no sentido de viabilizar junto à secretaria de Educação a compra de alimentos dos produtores para as escolas do município”, disse.

As capacitações, que terão a duração de um ano, acontecem na sede da associação Corpo, mas atendem aos produtores da agricultura familiar dos municípios da área de influência da UHE Corumbá. Já a assistência técnica será prestada na propriedade dos produtores inscritos no projeto Mãos Produtivas. Interessados em obter mais informações e se inscrever no projeto, podem ligar para a Coopindaiá, pelo telefone: 61 3725-0022 (Cássio Meireles).

Ana Guaranys

Assessoria de Comunicação / Corumbá Concessões

 

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