LUIZ EUGÊNIO BARROS DE BRITO / Escolas vão atuar promovendo mudanças de vida

Novo coordenador da Regional de Ensino de São Sebastião diz que comunidade reconhece a importância da escola na transformação do futuro e na melhoria do cotidiano de mais de 24 mil estudantes

Fórmulas de biologia, citologia, o evolucionismo de Charles Darwin e o meio ambiente são alguns dos temas que o professor Eugênio Brito desenvolveu durante o tempo o tempo em que lecionou em escolas públicas de ensino médio. Há 18 anos na Secretaria de Educação do DF, ele agora coordena a Regional de Ensino de São Sebastião. Um desafio e tanto, já que a unidade é a responsável pela supervisão e orientação de mais de 24 mil estudantes distribuídos em três turnos nas 26 escolas na rede pública local. Com formação em ciências biológicas e especialização em gestão pública pela Universidade de Brasília (UnB), Eugênio Brito já foi coordenador pedagógico, assistente de direção, supervisor e vice-diretor. Em entrevista à Agência Brasília, ele falou sobre as dificuldades da gestão e como pretende superar cada uma delas.

Quais as grandes dificuldades da Regional?

São Sebastião tem experimentado um crescimento muito rápido. Temos duas regiões, Morro da Cruz e Capão Comprido, que se adensaram a partir do fracionamento de chácaras. O poder público não tem conseguido acompanhar esse crescimento e enfrentamos um déficit de vagas em todas as etapas da educação. A última unidade educacional construída na cidade foi em 2012, há sete anos. No momento, temos vários estudantes atendidos em escolas do Plano Piloto. A falta de salas de aula tem impedido que consigamos cumprir a estratégia de matrículas em nossa cidade, pois nossas turmas sempre possuem mais estudantes que o previsto.

Como o senhor pretende administrar esse problema?

Já iniciamos contatos com os parlamentares no sentido de conseguir emendas que possam custear a construção de nova unidades educacionais. Outra dificuldade que vamos superar é relacionada à necessidade de reformulação pedagógica. Os indicadores educacionais mostram que precisamos avançar, qualitativamente, na alfabetização de nossas crianças e nas habilidades de leitura e escrita. Por isso, vamos apoiar fortemente o uso de metodologias ativas. Para isso, estamos usando como base diversas experiências de sucesso, na cidade e fora dela, para compilá-las e oferecer um catálogo de boas práticas a ser utilizado pelas escolas. Somos 24 escolas, um CIL [Centro Integrado de Línguas] e uma creche parceira para atender mais de 24 mil estudantes.

“Os indicadores educacionais mostram que precisamos avançar, qualitativamente, na alfabetização de nossas crianças e nas habilidades de leitura e escrita”

Qual a principal meta da regional para esse ano?

Nossa principal meta é superar as desigualdades de aprendizagem que ainda enfrentamos e superar as metas do Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica]. Para isso, precisamos recuperar as salas de leitura, os laboratórios e as salas de coordenação, que foram transformadas em salas de aula em função do crescimento desordenado da cidade. Outra vertente é o fortalecimento das parcerias com as comunidades, as famílias e os empresários. Acredito que essas parcerias são um grande e importante instrumento de qualificação pedagógica.

Como essas parcerias fortalecem a comunidade escolar?

A interação é excelente elemento. A gente observa que a comunidade vê as escolas como possibilidade de transformação de suas vidas. Assim, conseguimos manter as unidades bem cuidadas e com poucos casos de vandalismo ou depredações.  Nossa regional é a menor em número de escolas, porém somos a décima primeira em número de estudantes. Isso torna a gestão da escola mais complexa, pois nossas escolas, além de possuírem muitas turmas, precisam atender a mais de uma modalidade ao mesmo tempo.

Como foi o desempenho das escolas da regional no Ideb?

Experimentamos crescimento no Ideb dos anos iniciais. Estamos felizes por ter conseguindo atingir as metas estabelecidas pelo Ministério da Educação. Nos anos finais e no ensino médio, não atingimos o percentual mínimo de 80% de participação para termos os resultados publicados. Isso foi uma grande perda, pois ficamos sem dados que facilitam a percepção de nossas fraquezas e, consequentemente, temos tido dificuldades na proposição de intervenções mais precisas. No entanto, seguiremos persistindo rumo a uma educação de qualidade e sempre focados no processo de aprendizado de nossos alunos.

RENATA MOURA, DA AGÊNCIA BRASÍLIA

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