Músicas de protesto em 1968 revolucionaram a arte no Brasil, explicam pesquisadores

“E eu digo não / E eu digo não ao não / Eu digo: É! / proibido proibir”. A letra de “É proibido proibir”, de Caetano Veloso, é apenas uma das poesias que marcaram época o ano de 1968, período de importantes manifestações sociais no Brasil. Além dos protestos, as músicas de consagrados artistas fizeram uma verdadeira revolução primeiro na França e depois pelo mundo, inclusive no Brasil.  “A música É Proibido Proibir, é uma das fases escritas nos muros da capital Francesa, de várias tantas outras frases que foram registradas nessas manifestações”, afirma o pesquisador em gestão pública Leandro Antônio Peixoto. 2018 marca o cinquentenário desse tempo de ebulição cultural.

O professor aposentado da Escola de Música de Brasília Luís Roberto Pinheiro traz a indicação do livro “Balanço da bossa e outras bossas”, de Augusto de Campos. Ele aborda vários artigos que trazem a compreensão ampla dos movimentos ocorridos na época. A principal foi a Tropicália no qual, Caetano Veloso e Gilberto Gil foram importantes nomes para o movimento Tropicalista.

“A Tropicália surge com a perspectiva de movimento, não são compositores, principalmente Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto que estariam preocupados apenas na elaboração de canções em sua singularidade, mas sim canções que tratam da cultura brasileira”, diz o professor.

O movimento de “Maio de 1968”, ocorrido na França, teve um embasamento bem forte aqui no Brasil, seguindo a área das artes. O músico José Alberto Almeida relatou a diferença entre a MPB e a Bossa Nova, trazendo a importância do álbum MPB4.  “O álbum MPB4 veio com a tentativa de fazer uma arte mais popular, temas mais próximos da população, uma espécie de música de protesto, diferentemente da Bossa Nova”, diz o músico.

Entenda o período

O ano de 1968 foi marcado por manifestações sociais importantes que permanecem até os dias atuais, como direitos civis em relação à igualdade, liberação sexual e a diversidade cultural. O clima de agito permaneceu por todo ano de 1968, mas foi principalmente no mês de maio que os conflitos foram sentidos com mais intensidade e anunciados pelo mundo inteiro, por meio dos meios de comunicação de massa, em especial a televisão.

Os jovens mostraram que podiam ser personagens da história e mudar a forma de pensar da sociedade conservadora. No dia 2 de maio, os estudantes da Universidade de Nanterre na França, provocaram um protesto contra a divisão de dormitórios entre moças e rapazes. Tendo esse primeiro acontecimento, outros estudantes resolveram dar um crescimento contra os protestos que existiam na França.

As manifestações de 1968 abrangeram uma boa parte da população, desencadeada por forte opressão militar. Em uma década remota a contestação foi o pilar das transformações sociais, onde a proibição e ações positivas eram levadas como palavras de ordem.

Em um cenário conturbado, as artes sofreram um forte abalo, por ser a principal fonte de comportamento e formadora de opinião, tentando influenciar assim a geração vigente. Música, cinema e teatro, colocavam artistas podados na sociedade, onde suas produções eram rigorosamente avaliadas para que nenhuma forma “rebelde’’ saísse dos padrões esperados. Ainda assim, letras e mensagens subliminares eram levadas ao público, o subjetivo era um forte aliado cultural em protestos coletivos.

O movimento inspirou vários festivais, bandas, artistas. Era um momento em que os Beatles faziam bastante sucesso, John Lennon falava em suas músicas sobre paz, justiça, amor, esperança. No Brasil, a ascensão dos tropicalistas coincide com o momento histórico.

Por Luisa Câmara e Maria Luiza Alencastro

Sob supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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