Em 20 de novembro comemora-se o Dia da Consciência Negra. Segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e divulgada em 2020, no DF 58,9% dos habitantes são negros – sendo 48,3% pardos e 10,6% pretos. Além de refletir sobre a importância da inserção do negro na sociedade brasileira, a data suscita questões sobre racismo, discriminação, igualdade social, a cultura afro-brasileira, e serve de alerta para discussões sobre as demandas específicas dessa parcela populacional, como a saúde, por exemplo. “Por questões multifatoriais e genéticas, os afrodescendentes são mais propensos a algumas doenças que podem provocar graves problemas oculares, como a anemia falciforme, glaucoma, diabetes e a hipertensão arterial. Por isso, durante a consulta oftalmológica é importante conhecer o histórico médico do paciente e atentar-se a alguns problemas relacionados a essas patologias”, explica a Dra. Carla Urata, especialista em Glaucoma no Hospital Oftalmológico de Brasília, empresa do grupo Opty.
O glaucoma é uma neuropatia óptica de causas multifatoriais cujo único fator que se pode controlar para que a doença pare de progredir é através da redução da pressão intraocular. Segundo estudos prévios, o risco de perda visual secundária à doença na etnia negra é 15 vezes maior quando comparado a etnia branca, sendo a principal causa de cegueira irreversível dentre os afrodescendentes. A fisiopatologia da doença não é bem estabelecida. Diversos estudos populacionais já demonstraram que fenotipicamente o tamanho do disco óptico dos negros e sua relação escavação/disco são maiores. Segundo o African Descent and Glaucoma Evaluation Study (ADAGES), pacientes negros com suspeita de glaucoma e pressões intraoculares > 21mmHg têm 4 a 5 vezes mais chance de desenvolver a doença quando comparados com caucasianos, após o devido ajuste para o tamanho do nervo óptico. Além disso, comparando-se pressões intraoculares mais elevadas entre negros e caucasianos, observou-se piora significativa no campo visual dos afrodescendentes, quando comparado aos descendentes europeus, sugerindo que a biomecânica dos tecidos ao redor do nervo óptico, da córnea e da esclera possa ser uma das causas das diferenças de severidade da doença entre as duas etnias. Ademais, há diversos genes relacionados à manifestação da doença. “O que se pode assegurar é que em negros a progressão do glaucoma e a perda visual, costumam ser mais rápida e severa do que em outras etnias, tornando-se a principal causa de cegueira entre eles”, destaca Carla Urata. Além disso, segundo outro estudo recente, o African American Eye Disease Study, a perda visual impacta diretamente na qualidade de vida dos pacientes afrodescendentes, com pior performance para realizar tarefas cotidianas, como dirigir.
A anemia falciforme, por exemplo, que atinge de 2 a de 8% dos negros no Brasil, dificulta a circulação sanguínea e o transporte de oxigênio para as células do corpo e pode levar a vaso oclusão, hemorragias em salmon-patch (hemorragia intrarretiniana), oclusões dos vasos da coróide, black sunburst (migração dos pigmentos da retina), alterações maculares (região do centro da visão) e retinopatia proliferativa – variações causadas pela obstrução dos pequenos vasos sanguíneos da retina, em função das hemácias em formato de foice. “Devido a maior dificuldade de perfusão sanguínea às estruturas oculares, ocorre neovascularização, que é a formação de novos vasos mais finos e tortuosos, que aderem ao humor vítreo, potencializando os riscos de uma hemorragia secundária ao seu rompimento. Sendo assim, o paciente pode apresentar baixa da acuidade visual importante”, afirma a oftalmologista.
A médica chama atenção ainda para os inúmeros casos de retinopatia diabética que afligem os negros – o diabetes mellitus tipo II é mais comum entre essa etnia, sendo que 50% a mais das mulheres negras desenvolvem mais a doença, quando comparadas a mulheres de outras raças. A hiperglicemia provoca a morte das células do tecido que recobre os vasos sanguíneos da retina, causando pequenas dilatações, obstruções e hemorragias, impedindo que o sangue com nutrientes e oxigênio chegue até os olhos, o que pode originar um edema macular diabético ou mesmo para um descolamento de retina. “Por isso, é fundamental agendar visitas regulares ao oftalmologista. Assim é possível prevenir, identificar e tratar as doenças de maneira apropriada, assegurando a saúde ocular e, consequentemente, a qualidade de vida dos pacientes”, conclui Carla Urata.
Sobre o Opty
O Grupo Opty nasceu em abril de 2016, a partir da união de médicos oftalmologistas apoiados pelo Pátria Investimentos, que deu origem a um negócio pioneiro no setor oftalmológico do Brasil. O grupo aplica um novo modelo de gestão associativa que permite ampliar o poder de negociação, o ganho em escala e o acesso às tecnologias de alto custo, preservando a prática da oftalmologia humanizada e oferecendo tratamentos e serviços de última geração em diferentes regiões do País. Nesse formato, o médico mantém sua participação nas decisões estratégicas e concentra seu foco no exercício da medicina.
Atualmente, é o maior grupo de oftalmologia da América Latina, com 12 milhões de atendimentos realizados nos últimos cinco anos. O grupo Opty agrega 23 empresas oftalmológicas, e mais de 2500 colaboradores e 1200 médicos oftalmologistas. Além das marcas próprias HOBrasil (BA, DF, RJ e SP) e Centro Oftalmológico Dr. Vis (DF, RJ e SC), no Distrito Federal fazem parte dos associados: Hospital de Olhos INOB, Hospital de Olhos do Gama, Hospital Oftalmológico de Brasília, HOB Taguatinga, HOB Hélio Prates e HOB no Jardim Botânico, resultando em 66 unidades de atendimento em todo o país.



