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Iniciativa da UnB leva educação em saúde para dentro das comunidades e fortalece prevenção no DF

Criado em meio ao cenário de incertezas e excesso de informações durante a pandemia de Covid-19, o programa de extensão Escola Cidadã vem se consolidando como uma importante estratégia de educação e comunicação em saúde no Distrito Federal. Desenvolvida pela Universidade de Brasília (UnB), por meio do Laboratório de Educação, Informação e Comunicação em Saúde (LabECoS), a iniciativa atua diretamente junto às comunidades para ampliar o acesso à informação confiável, incentivar a prevenção e aproximar a população dos serviços públicos de saúde. As ações do projeto contam com o apoio da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), no âmbito de sua atuação de apoio a iniciativas de ensino, pesquisa, extensão e inovação.

O projeto surgiu em 2020 com ações digitais voltadas à tradução do conhecimento científico para uma linguagem mais acessível. Entre as iniciativas desenvolvidas estavam materiais educativos, cards para WhatsApp, aulas públicas e lives com orientações sobre saúde em um momento marcado pela circulação intensa de desinformação.

Com a ampliação das atividades, o Escola Cidadã passou a promover também ações presenciais nas comunidades, fortalecendo o diálogo entre universidade, população e equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). A proposta é contribuir para que as pessoas tenham mais autonomia no cuidado com a própria saúde e se aproximem dos serviços oferecidos pelo SUS.

“O Escola Cidadã nasce da inquietação diante de dois desafios muito presentes nos territórios: a distância entre universidade e comunidade e o avanço da desinformação em saúde. Percebemos que não bastava produzir conhecimento científico; era fundamental traduzi-lo, compartilhá-lo e construí-lo junto com a população”, explica a coordenadora do programa, Ana Valéria Machado Mendonça.

Ações nas comunidades fortalecem autonomia da população

As atividades do programa de extensão Escola Cidadã utilizam metodologias participativas e estratégias de educação e comunicação em saúde que estimulam o protagonismo da população e a construção coletiva do conhecimento. Além da comunidade, profissionais da saúde e estudantes universitários também são beneficiados pela iniciativa de 12 subprojetos vinculados. Para os profissionais das UBSs, os projetos temáticos ampliam as possibilidades de comunicação e promoção da saúde. Já para os estudantes da universidade, a experiência permite integrar ensino, pesquisa e extensão em contato direto com a realidade social das comunidades.

Outro diferencial do Escola Cidadã é o desenvolvimento de tecnologias educativas inovadoras. Entre elas estão jogos produzidos por estudantes da Faculdade de Ceilândia da UnB, utilizados nas ações com a população para abordar temas como vacinação, dengue, saúde menstrual, hanseníase, cigarro eletrônico e desinformação em saúde, orientados pela professora Natália Fernandes de Andrade, coordenadora de territórios do Escola Cidadã.

Segundo Natália, os efeitos sociais da iniciativa estão diretamente ligados ao fortalecimento da autonomia da população e ao incentivo ao pensamento crítico em relação às informações consumidas no dia a dia.

“Acreditamos que o principal resultado social do Escola Cidadã está no fortalecimento do protagonismo e da autonomia da comunidade no processo de cuidado com a saúde. O projeto contribui para que as pessoas se tornem mais críticas em relação às informações que recebem e mais conscientes sobre suas escolhas em saúde”, destaca.

A expectativa da equipe é ampliar as ações junto às comunidades e fortalecer parcerias com escolas, unidades de saúde, organizações comunitárias e instituições públicas, consolidando o Escola Cidadã como referência em educação e comunicação em saúde no Distrito Federal.

“A longo prazo, queremos que o Escola Cidadã se consolide como um modelo de educação e comunicação em saúde capaz de inspirar diferentes territórios, contribuindo para o fortalecimento do SUS e para a formação de profissionais mais sensíveis às necessidades sociais”, finaliza Ana Valéria.