Leia mais

Mais lidas

Útimas notícias

Abril Azul: atendimento psicológico gratuito amplia acesso ao cuidado de crianças com TEA

O mês de abril é marcado pela conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), em referência ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril. Instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data busca ampliar o conhecimento sobre a condição neurológica, incentivar o diagnóstico precoce e fortalecer políticas de inclusão e apoio. No Brasil, o tema ganha ainda mais relevância diante dos números: segundo o Censo Demográfico de 2022 do IBGE, cerca de 2,4 milhões de pessoas têm diagnóstico de TEA, o que corresponde a 1,2% da população. Dentro desse contexto, iniciativas que ampliam o acesso ao cuidado especializado têm se tornado cada vez mais necessárias.

Entre elas está o atendimento psicológico gratuito oferecido pelo Instituto de Assistência Familiar e Amparo Social dos Trabalhadores do Setor de Serviços (Iafas), voltado a crianças com TEA, dependentes de trabalhadores atendidos pela instituição. O serviço é direcionado aos pequenos na primeira e segunda infância, com idade entre 0 e 12 anos, fase considerada essencial para o desenvolvimento. “Nosso foco é justamente esse período, por ser o momento em que a intervenção tem maior impacto e potencial de mudança. Esse tipo de iniciativa é essencial porque amplia o acesso a um tratamento especializado que, muitas vezes, não seria possível de forma particular para muitas famílias”, explica a psicóloga Alinne Morato.

Do diagnóstico à vida real

O atendimento parte de uma escuta individualizada, que considera não apenas o diagnóstico, mas também o comportamento da criança, suas dificuldades e o contexto familiar. “Na prática, começa-se entendendo profundamente a criança, não só o diagnóstico, mas o comportamento no dia a dia e as dificuldades reais. A partir disso, construímos um plano totalmente individualizado, com objetivos claros, como desenvolver comunicação, autonomia e habilidades sociais, além de reduzir comportamentos que prejudicam o desenvolvimento”, detalha.

A principal abordagem utilizada é a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), reconhecida cientificamente pela eficácia no desenvolvimento de habilidades em crianças com TEA. “A ABA atua diretamente no ensino de habilidades sociais, comunicativas, acadêmicas e de autonomia, além de reduzir comportamentos que possam prejudicar o desenvolvimento”, afirma Alinne. Em alguns casos, o acompanhamento também integra estratégias da Terapia Cognitivo-Comportamental, de acordo com as necessidades de cada criança.

O processo terapêutico envolve o paciente e toda a família. “O acompanhamento é contínuo e a família participa ativamente. O resultado não acontece só na clínica, ele precisa acontecer na vida real”, ressalta. Segundo a psicóloga, esse envolvimento impacta diretamente na rotina e na qualidade de vida. “Quando a criança começa a evoluir, toda a dinâmica familiar se transforma. A família passa a compreender melhor os comportamentos, aprende estratégias para lidar com os desafios e consegue proporcionar um ambiente mais estruturado e acolhedor.”

Demanda cresce, mas acesso ainda é desafio

A demanda por esse tipo de atendimento tem crescido de forma significativa, refletindo um maior nível de conscientização sobre o desenvolvimento infantil e a saúde mental. “Existe uma procura constante de famílias em busca de avaliação e intervenção, o que evidencia o quanto esse serviço é necessário e, ao mesmo tempo, ainda insuficiente diante da realidade atual”, pontua. Para muitas famílias, no entanto, o acesso ao tratamento ainda é um desafio. “As principais dificuldades estão relacionadas à sobrecarga emocional, à falta de orientação adequada e ao custo de um tratamento especializado, que ainda é um grande impeditivo. Muitas crianças deixam de receber a intervenção justamente no momento mais importante do desenvolvimento”, explica a psicóloga.

Num cenário em que o acesso ao diagnóstico e ao tratamento ainda é limitado para muitas famílias, iniciativas como a do Iafas assumem um papel decisivo na democratização do cuidado especializado. Ao oferecer atendimento psicológico gratuito para crianças com TEA, o instituto contribui diretamente para reduzir desigualdades e ampliar as possibilidades de desenvolvimento ainda na infância, fase considerada essencial para a evolução do quadro. “Mais do que oferecer terapia, essas ações promovem inclusão, dignidade e uma oportunidade real de desenvolvimento. É um impacto que vai além do indivíduo e alcança toda a sociedade”, conclui Alinne.

Sobre o Iafas  

O Iafas é uma organização sem fins lucrativos, fundada em 2017, com o propósito de conectar trabalhadores e empresas em busca de mão de obra qualificada. O instituto, que atua como intermediário entre trabalhadores e empregadores, cadastrando currículos para vagas de emprego nos segmentos de limpeza, conservação e de segurança privada em Goiás que estão com déficit de profissionais, oferece também benefícios como cestas básicas para alunos que concluírem os treinamentos, além de contar com uma farmácia própria com preços acessíveis para trabalhadores e seus familiares, distribuição de material escolar, dentre outros benefícios.