Março é o Mês da Mulher período de debate sobre direitos, protagonismo e saúde e também um momento estratégico para discutir um tema ainda pouco explorado: as particularidades do cérebro feminino. Mulheres vivem mais do que os homens no Brasil, mas também enfrentam maior incidência de enxaqueca, transtornos de ansiedade e representam cerca de dois terços dos casos de Alzheimer no mundo. Para especialistas, a combinação entre fatores biológicos e sociais ajuda a explicar esse cenário.
Segundo o neurologista Dr. Heitor Lima, as oscilações hormonais têm influência direta sobre o funcionamento cerebral. “O estrogênio atua na comunicação entre os neurônios. Por isso, fases como o ciclo menstrual, a gravidez e principalmente a menopausa podem intensificar crises de enxaqueca, alterações de humor, insônia e dificuldade de concentração”, explica. Ele reforça que muitas mulheres aprendem a conviver com a dor e acabam adiando a busca por diagnóstico.
Mas não é apenas a biologia que pesa. A sobrecarga mental acúmulo de responsabilidades profissionais, familiares e emocionais também impacta o cérebro feminino. “O estresse crônico libera substâncias inflamatórias que afetam o sistema nervoso. A longo prazo, isso pode contribuir para ansiedade, depressão e até acelerar processos de declínio cognitivo”, alerta o especialista. No Mês da Mulher, o recado é direto: dor de cabeça frequente, esquecimento persistente, ansiedade constante e alterações no humor não são ‘normais’. São sinais de que o cérebro precisa de atenção.
Para o neurologista, o cuidado deve ser preventivo e contínuo. Sono adequado, atividade física regular, acompanhamento médico e atenção aos primeiros sintomas são medidas fundamentais para preservar a saúde neurológica ao longo da vida. “Falar sobre saúde do cérebro feminino é falar sobre autonomia, qualidade de vida e envelhecimento saudável”, conclui Dr. Heitor Lima.





