Dominic chegou ao Hospital Anchieta em 24 de maio deste ano, transferido da cidade de Anápolis (Goiás), vindo de UTI Pediátrica do hospital local. Com apenas 6 meses de vida, o bebê já era um guerreiro – enfrentava uma batalha intensa desde o nascimento prematuro, ocorrido às 32 semanas de gestação.
Diagnosticado com Hidrocefalia grave, ele nunca foi para casa — sempre viveu no ambiente hospitalar, lidando com complicações severas como hemorragia cerebral, abscesso cerebral, crises convulsivas, atraso do neurodesenvolvimento e disfagia grave (dificuldade de deglutir e de se alimentar por via oral).
“O caso do Dominic se destaca pela complexa trajetória desde o nascimento, marcada por complicações, um prognóstico delicado e a busca incansável dos pais, da operadora de saúde e do hospital de origem por uma unidade especializada com equipe neurocirúrgica e UTI pediátrica. Mesmo diante das incertezas, a esperança sempre esteve presente”, destaca a coordenadora da UTI Neonatal e Pediátrica do Hospital Anchieta, Mirian Barreto.
E completa: “A singularidade desse caso para nós é o bom resultado, até melhor do que nossas expectativas iniciais, e conseguirmos proporcionar à mãe e ao pai, a possibilidade de retornar ao lar cuidando do filho, agora com 8 meses”, relata com entusiasmo a médica.
O pequeno paciente recebeu cuidados contínuos de uma equipe multidisciplinar composta por intensivistas, neurocirurgiões, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, psicólogos, entre outros. Graças a esse suporte integrado, Dominic está respirando em ar ambiente, com a hidrocefalia compensada, os eventuais episódios de convulsões controlados e pode ser alimentado, a maior parte das vezes, normalmente — resultado da fonoterapia.
O coordenador da Neurocirurgia do Hospital Anchieta, André Borba, elogia a vontade de viver do bebê, a determinação da família e a garra da equipe multidisciplinar.
“Dominic chegou ao Anchieta com uma infecção generalizada além do comprometimento do sistema nervoso central. Foi necessária uma cirurgia por vídeo combinada com ultrassonografia, realizada em poucos centros, para tentar reconstruir a anatomia interna do cérebro. Em seguida, apresentou uma melhora surpreendente, com redução expressiva do líquido acumulado. Foi também necessário implantar a válvula para garantir a drenagem contínua do líquor [fluido claro e incolor que circula no sistema nervoso central, protegendo o cérebro e a medula espinhal]”, explica o neurocirurgião.
Longa busca
No hospital em que nasceu, Dominic passou por várias derivações ventriculares, tanto internas como externas — procedimento que insere um cateter para drenar o excesso de líquido no cérebro. Mas, sem evolução satisfatória, seu quadro se agravou, apresentando uma hidrocefalia septada — quando há compartimentalizações dentro dos ventrículos cerebrais.
Diante da complexidade do caso, a operadora de saúde da criança passou a buscar uma instituição com capacidade técnica e estrutura especializada para dar continuidade ao tratamento. Foi por meio do setor de Captação que Dominic foi admitido no Hospital Anchieta.
Ao chegar, o bebê estava com infecção grave associada ao cateter venoso central, macrocefalia acentuada, convulsões e sem possibilidade de alimentação oral, necessitando de gastrostomia. A equipe da UTI Pediátrica prontamente iniciou o tratamento para controlar a infecção e estabilizar o quadro, com apoio da neurocirurgia e neuropediatria para controlar as crises convulsivas.
Mais um desafio
Em junho, foi realizado o primeiro procedimento neurocirúrgico no Hospital Anchieta: uma cirurgia endoscópica intracraniana, para reconstruir parte do sistema cerebral por onde corre o líquido.
Posteriormente, foi necessária a instalação de uma válvula de derivação ventrículo-peritoneal, fundamental para drenar o excesso de líquido e controlar a hidrocefalia. A complexidade das intervenções exigiu o trabalho coordenado de diversos especialistas.
Mais do que a excelência técnica, a jornada de Dominic no Anchieta foi marcada pelo acolhimento e cuidado humanizado. A UTI Pediátrica da instituição é reconhecida pela estrutura física e operacional voltada ao tratamento de alta complexidade, além do envolvimento familiar em todo o processo de cuidado.
Depois de meses de angústia e fé, a mãe de Dominic, Camila Guimarães comemora agora a vitória de, finalmente, levar o filho para casa. Emocionada, agradeceu à equipe pelo carinho e dedicação.
“Foram dias difíceis, mas nunca estivemos sozinhos. Cada profissional aqui foi como um anjo que Deus colocou no nosso caminho. Serei eternamente grata por tudo que fizeram pelo meu filho e pela nossa família”, desabafa sem conter a expectativa sobre os dias que virão.






