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Cuidados com a saúde no mês que se comemora o Dia do Cérebro

Criado pela Federação Mundial de Neurologia para alertar sobre a atenção e os cuidados com a saúde cerebral e os impactos das doenças neurológicas na vida das pessoas, o Dia Mundial do Cérebro, comemorado no último dia 22, é lembrado durante todo o mês de julho. Com cerca de 86 bilhões de neurônios e trilhões de conexões, o órgão comanda desde os batimentos cardíacos até o pensamento, a memória, as emoções e o movimento.

A neurologista do Hospital Anchieta e da NA Neurologistas Associados, em Brasília, Ana Cláudia Pires Carvalho, ressalta que não há órgão ou invenção existente que substitua o cérebro. “Ele nos permite interagir com o mundo e ser quem somos. É por isso que manter a saúde cerebral deve ser prioridade em todas as fases da vida, e não apenas diante de um diagnóstico”, afirma.

Para a médica, há uma espécie de “cartilha” que pode ser seguida como medidas de prevenção para o cérebro. Ela cita a prática regular de atividade física, alimentação balanceada, sono de qualidade, estímulos cognitivos, controle do estresse e o cultivo de relações sociais saudáveis. Também é essencial prevenir e tratar fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e apneia do sono.

Hábitos

Ana Cláudia reitera a necessidade de tentar escapar dos principais hábitos que prejudicam o cérebro. A neurologista cita o sedentarismo, o excesso de álcool, a privação de sono, o estresse crônico, o 0tabagismo e o isolamento social. A alimentação também exerce papel relevante: frutas vermelhas, azeite de oliva, linhaça, salmão e alimentos ricos em vitaminas do complexo B são exemplos de itens que favorecem a função cerebral.

A neurologista alerta que o sono é uma peça-chave nesse cuidado. “É durante o sono que ocorre a consolidação da memória, a remoção de toxinas pelo sistema glinfático e a restauração das funções cerebrais. Dormir mal interfere na atenção, no humor e na cognição, e ainda aumenta o risco de doenças como Alzheimer e Parkinson”, explica.

Entre os transtornos neurológicos mais comuns estão o Acidente Vascular Cerebral (AVC), as demências, como Alzheimer, as cefaleias, a epilepsia e a Doença de Parkinson. De acordo com a médica, é importante saber diferenciar o esquecimento normal, que é pontual e não compromete a rotina, do esquecimento causado por doenças, que tende a ser frequente, progressivo e vir acompanhado de outras alterações cognitivas.

Conexão

Há, ainda, uma “estreita conexão” entre saúde mental e cerebral, reitera a médica: “Transtornos psiquiátricos como a depressão podem ser tanto fator de risco como manifestação precoce de doenças neurológicas. A depressão, por exemplo, está associada ao aumento do risco de Alzheimer e pode agravar quadros de Parkinson”

Porém, a neurologista afirma que o avanço da ciência traz boas perspectivas, pois há novos métodos de diagnóstico por imagem, exames genéticos, biomarcadores e tecnologias de apoio ao tratamento, como dispositivos vestíveis, cirurgias robóticas e interfaces cérebro-máquina.

“Em um futuro próximo, teremos maior acesso a terapias modificadoras da doença, imunoterapia, medicamentos neuroprotetores e tratamentos personalizados, o que pode mudar o curso de doenças hoje consideradas degenerativas”, destaca a especialista.

No entanto, a recomendação dos médicos mais antigos ainda é bastante presente nas consultas clínicas, diz a neurologista. Ela sugere estilo de vida saudável, acompanhamento médico e atenção aos sinais de alerta. “Cuidar do cérebro é cuidar de tudo que nos faz humanos — da nossa memória às nossas emoções”, conclui Ana Cláudia Pires Carvalho.