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Dia da Mulher: especialista em Planejamento de Trânsito e Transportes avalia mobilidade feminina em Goiânia e Entorno 

Com a celebração do Dia Internacional da Mulher (8 de março), a mobilidade feminina volta à evidência do debate urbanista, quando deveria ser uma preocupação constante do poder público. Pesquisas do Instituto Patrícia Galvão e Instituto Locomotiva indicam que 81% das mulheres já sofreram algum tipo de violência em deslocamentos pelas cidades. O assédio sexual é a queixa predominante, com 97% das entrevistadas relatando já terem sido vítimas em meios de transporte. A especialista do Mova-se Fórum de Mobilidade, Julienne Morais, que é mestre em Planejamento de Trânsito e Transportes, avalia que a capital goiana tem avançado em alguns importantes eixos de mobilidade urbana feminina, que dizem respeito ao Projeto “Nova RMTC”, por meio da Deliberação 09/2023, que visou reestruturar e ampliar a Rede Metropolitana de Transporte Coletivo de Goiânia. 

“Este projeto está em andamento – com algumas etapas mais avançadas e uma concluída em sua totalidade (Novo BRT Norte/Sul) –, e visa proporcionar um acompanhamento maior de toda a movimentação de passageiros nos terminais e estações, com o objetivo de garantir mais segurança a toda população. Além disso, pode-se mencionar o monitoramento dentro dos veículos do transporte público, dispositivos estes que auxiliam nas situações de combate ao assédio e agressões”, assinala. De modo geral, a especialista pontua que é essencial pensar e compreender que o ambiente urbano deve ser planejado para todos os cidadãos e uma das formas mais objetivas é considerar as vulnerabilidades das mulheres em seus diversos aspectos, e nas suas diversas fases da vida.  

Para Julienne, é preciso adotar um urbanismo sensível ao gênero, que transforma espaços públicos hostis em áreas seguras, inclusivas e acessíveis, e que, para isso, é necessário reforçar a aplicabilidade de leis já existentes, como a implementação integral da Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei 12.587/2012). “A segurança depende de gestão ativa, como a vigilância em tempo integral. Inclusive, o Terminal Senador Canedo é um exemplo positivo, já que após sua revitalização, passou a contar com monitoramento por câmeras 24 horas e uma sala de apoio operacional, o que inibe ações criminosas e atos de vandalismo. Assim como a presença constante de funcionários para orientação e a organização das entradas e saídas são vistas como formas de reduzir a vulnerabilidade dos passageiros em áreas de grande aglomeração”, analisa. 

Em relação às dificuldades encontradas por mulheres com deficiência, idosas, gestantes ou com crianças pequenas, segundo a especialista do Mova-se, essas advêm do fato da cultura de idealização da cidade para carros e pessoas sem nenhum tipo de dificuldade de locomoção. “Não há como se falar em mobilidade urbana sustentável sem a implantação de medidas que considerem essas questões. Não é possível e viável dizer que haja respeito a essas mulheres, se a velocidade pela qual se deslocam é menor e, por vezes precisam de um espaço maior, seja para cadeiras de rodas ou carrinhos de bebê. E, diante de tantos desafios, surge a necessidade de aumento da representatividade das mulheres para que a cidade possa efetivamente ser pensada num sentido mais amplo e seguro”, arremata.   

Sobre o Mova-se Fórum Nacional de Mobilidade @movaseforumdemobilidade             

             

O Mova-se Fórum Nacional de Mobilidade foi criado em 2021 por especialistas em mobilidade urbana de diversas áreas, com o intuito de discutir e contribuir com soluções para a mobilidade do Brasil. O grupo, que começou com quatro integrantes e hoje conta com mais de 600 profissionais – entre técnicos, pesquisadores e professores do segmento no país –, tornou-se destaque em pesquisas e desenvolvimento de conhecimento sobre transporte público, pedestres, vias inteligentes e temas relacionados.