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Dia Mundial do Veganismo: crianças podem ser veganas?

Celebrado em 1º de novembro, o Dia Mundial do Veganismo chama a atenção para um estilo de vida que busca evitar a exploração animal. Além da alimentação, a prática envolve escolhas relacionadas a roupas, cosméticos e outros produtos. No cardápio, ficam de fora carne, leite, ovos e derivados, dando lugar aos alimentos de origem vegetal.

Mas será que esse tipo de alimentação também é adequado para crianças? A questão desperta dúvidas entre pais, principalmente sobre os possíveis impactos no crescimento e no desenvolvimento infantil.

Segundo Paula Uessugue, nutricionista infantil e professora do curso de Nutrição do Centro Universitário UNICEPLAC, crianças podem seguir uma dieta vegana, desde que recebam orientação profissional. “Podem, desde que a alimentação seja bem planejada, com suplementação adequada e acompanhamento de nutricionista e pediatra. Uma alimentação 100% vegetal, sem os cuidados necessários, pode não fornecer todos os nutrientes essenciais ao crescimento e ao desenvolvimento infantil”, explica.

Quais são os principais riscos?

Entre os nutrientes que exigem maior atenção está a vitamina B12, encontrada naturalmente em alimentos de origem animal e essencial para o funcionamento do sistema nervoso e a formação das células sanguíneas. Sua deficiência pode provocar anemia e alterações neurológicas. “O maior risco é a falta de vitamina B12, que só existe naturalmente em alimentos de origem animal. Ferro, cálcio, zinco, vitamina D e ômega-3 também merecem atenção, porque os vegetais podem até conter esses nutrientes, mas o corpo os aproveita menos”, alerta Paula.

A nutricionista cita um estudo realizado com crianças na Polônia que identificou diferenças no crescimento e na saúde óssea entre participantes veganos e aqueles que consumiam produtos de origem animal. Na pesquisa, as crianças veganas apresentaram, em média, três centímetros a menos de altura, menor conteúdo mineral ósseo e maior frequência de deficiência de vitamina B12. Por outro lado, também foram observados indicadores cardiovasculares mais favoráveis. “Os resultados reforçam a importância do acompanhamento nutricional, mas não significam que toda criança vegana apresentará problemas de crescimento”, completa Paula.

A partir de qual idade uma criança pode ser vegana?

De acordo com a professora, não existe uma idade mínima oficial para adotar uma dieta vegana. Entretanto, quanto menor a criança, maiores devem ser os cuidados, especialmente nos primeiros anos de vida. “A recomendação é manter o aleitamento materno exclusivo até os seis meses e, após esse período, iniciar a introdução alimentar, mantendo a amamentação até os dois anos ou mais. No caso de mães veganas que amamentam, a atenção à vitamina B12 é fundamental, já que a deficiência materna pode comprometer a oferta desse nutriente ao bebê”, orienta a professora Paula.

O que não pode faltar na alimentação de uma criança vegana?

Para garantir uma alimentação equilibrada, é necessário diversificar o cardápio e combinar diferentes fontes vegetais de nutrientes. Confira algumas opções recomendadas pela nutricionista:

·         Proteínas: feijão, lentilha, grão-de-bico, tofu e outras leguminosas, combinados com cereais, como arroz.

·         Ferro: leguminosas e vegetais verde-escuros, associados a frutas ricas em vitamina C, que favorecem a absorção do mineral.

·         Cálcio: tofu preparado com cálcio, couve, brócolis e alimentos fortificados.

·         Gorduras saudáveis: abacate, azeite e pastas de castanhas e amendoim, com consistência adequada à idade.

·         Ômega-3: linhaça, chia e nozes, oferecidas em preparações seguras para crianças pequenas.

A variedade dos alimentos e a adequação das porções às necessidades de cada faixa etária são fundamentais para uma nutrição equilibrada.

Suplementação é necessária?

Segundo Paula Uessugue, crianças que seguem uma alimentação estritamente vegana precisam de suplementação de vitamina B12, já que os alimentos vegetais não fortificados não oferecem quantidades confiáveis desse nutriente. Vitamina D, ferro, cálcio e ômega-3 também podem exigir suplementação, dependendo das necessidades individuais.A professora alerta que a escolha dos suplementos e das doses deve ser orientada por nutricionistas e pediatras, considerando a alimentação, o histórico clínico e, quando necessário, os resultados de exames laboratoriais. O acompanhamento desses profissionais é fundamental para monitorar o crescimento, prevenir deficiências nutricionais e adequar o cardápio a cada fase do desenvolvimento infantil. “O problema não é ser vegano, é ser vegano sem planejamento”, conclui a nutricionista.