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Encontro no Hospital de Santa Maria fortalece a rede de cuidado às pessoas com estomia

O Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), sediou nesta quinta-feira (27), o III Encontro das Pessoas com Estomia, e também o 1º Simpósio de Assistência às Pessoas com Estomia, consolidando o compromisso da unidade com a valorização desses pacientes.

O evento “Viver bem, viver com estomia” marcou o encerramento das atividades do Novembro Verde, mês dedicado à visibilidade, à autonomia e à qualidade de vida das pessoas estomizadas.

No Brasil, mais de 400 mil pessoas vivem com estomia, segundo o Ministério da Saúde. Trata-se de uma cirurgia que cria uma abertura artificial (estoma) no abdômen, conectando um órgão — o intestino, o trato urinário ou a traqueia — ao meio externo para permitir a eliminação de fezes, urina ou secreções. Essa abertura direciona os resíduos corporais para uma bolsa coletora posicionada fora do corpo.

O procedimento é indicado em razão de doenças, acidentes, traumas ou condições congênitas, sendo necessário para garantir a vida e a saúde do paciente em casos de câncer, doenças inflamatórias intestinais, entre outras situações.

Para a enfermeira estomaterapeuta Ana Carla Freire, chefe do Serviço de Enfermagem Ambulatorial, a iniciativa reforçou a importância do acesso à informação, da troca de experiências e da promoção do bem-estar.

“Este evento foi pensado para a conscientização sobre o quanto esses pacientes são importantes. Nosso cuidado, nosso olhar e atenção fazem diferença no dia a dia deles, especialmente quando incentivamos a independência no manejo da estomia”, reforça.

Segundo a gerente de enfermagem Jussara Bolandim a maioria das pessoas não está preparada para lidar com mudanças tão significativas no corpo. “Estar aqui, trocando conhecimentos e nos capacitando, tende a ajudar no acolhimento desses pacientes da melhor forma. É fundamental que entendam que tal condição pode ser apenas uma fase da vida, sem diminuir sua humanidade ou valor”.

Encerrando a mesa de abertura, o enfermeiro estomaterapeuta Vitor Firmino, um dos idealizadores do evento, lembrou que o HRSM recebe muitos pacientes estomizados após situações emergenciais.

“Eles geralmente chegam ao centro cirúrgico após algum agravo e só depois descobrem que estão estomizados. Nosso papel é suavizar esse impacto inicial e promover uma hospitalização consciente, para que compreendam as mudanças e aprendam a contornar os desafios, mantendo uma rotina saudável e próxima da que tinham antes”, explica.

Palestras e relatos reais

Ao longo do dia, os profissionais de saúde participaram de duas palestras. Vitor Firmino abriu o ciclo de discussões com o tema “Complicações em estomas: desafios e manejo”, trazendo atualizações e práticas baseadas em evidências.

Já a enfermeira Ana Carla Freire falou sobre “Dispositivos e insumos terapêuticos: indicações e usos”, orientando sobre os materiais fundamentais ao cuidado.

Um dos momentos mais aguardados foi a mesa de relatos, quando pacientes atendidos pelo Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) e pelo HRSM compartilharam suas experiências durante e após a estomia.

Humberto Silveira, 62 anos, relatou sua trajetória após o diagnóstico de câncer no reto. “O tumor foi totalmente retirado. Agora, vou seguir com a quimioterapia por garantia e farei tratamento em câmara hiperbárica. Fiquei 28 dias internado na UTI e todos cuidaram de mim com amor. A troca que eu podia oferecer era o meu sorriso, meu abraço, meu olhar. Eles não pediram nada, só fizeram tudo por mim”, revela

A emoção também tomou conta do depoimento de Maria Pedrina, 64 anos, que vive com estomia há seis anos. “Tenho apenas dois filhos, porém, que me apoiaram demais. Passei por uma cirurgia extensa, fui aberta do estômago até as costas, mas fui muito bem acolhida. Já fiz vários exames e, graças a Deus, não tenho mais nada. Esta é a minha nova chance de vida e só tenho a agradecer”.

O espaço de escuta reforçou a mensagem central do encontro: é possível viver bem com estomia, especialmente quando há acolhimento, informação qualificada e acompanhamento multiprofissional.

O evento foi promovido pela Comissão de Prevenção e Cuidados com a Pele e Estomias (CPCPE) e pelo Serviço de Enfermagem Clínica Médica do HRSM, com apoio do Núcleo de Educação Permanente (NUDEP) e do Núcleo de Tecnologias Educacionais. A transmissão completa está disponível no canal do IgesDF, no YouTube.