Nascida e criada no Gama, a influenciadora Rafinha transformou parte de suas vivências em conteúdo nas redes sociais e em uma forma de ampliar a representatividade de pessoas com deficiência. No aniversário de 66 anos da cidade, ela fala sobre sua relação com o Gama, os desafios de acessibilidade e o orgulho de fazer parte da história da região.
Rafinha explica que não começou a produzir conteúdo com a intenção de se tornar influenciadora ou falar sobre capacitismo. Queria ajudar pessoas com Displasia Diastrófica, seu tipo de nanismo, e principalmente mães de crianças com a mesma condição. Em um grupo de WhatsApp, respondia às dúvidas do cotidiano com vídeos e depois passou a compartilhá-los no Instagram e, por sugestão de uma familiar, no YouTube.
Rafinha afirmou que “com o tempo, percebi que mostrar a minha rotina, minhas adaptações e a forma como eu lido com situações que muitas pessoas consideram impossíveis também ajudava a desconstruir alguns preconceitos. Acho que, quando as pessoas passam a conhecer a nossa realidade de verdade, elas começam a enxergar a pessoa antes da deficiência”. Nas redes, ela fala de capacitismo e representatividade sem fazer da deficiência o único assunto: trabalho, amizades, relacionamentos, futebol e momentos comuns também fazem parte do conteúdo.
Sobre o Gama, ela diz que o bom desempenho do time em 2026, com a conquista do acesso à Série C, reforçou seu orgulho. Para Rafinha, “quem mora no Gama também já ouviu muito aquele discurso de quem é de outras regiões: que o Gama é longe, que aqui não tem nada, que quem mora aqui é pobre… Existe um certo preconceito com a cidade que nós, moradores, conhecemos bem”. Mesmo assim, avalia que a cidade está se desenvolvendo: “Ainda não está perfeito, claro, e ainda temos coisas que precisam melhorar, mas é muito bonito acompanhar essa transformação”.
Em relação à acessibilidade, defende melhorias estruturais e mais informação, lembrando que o preconceito também aparece na forma como as pessoas tratam quem tem deficiência. Ela reconhece que o Gama já tem espaços acessíveis e que a cidade tem avançado, mas defende que a acessibilidade seja pensada como algo natural no planejamento urbano. “Quando uma cidade é acessível, todo mundo ganha”, destaca.
Aos 66 anos do Gama, Rafinha segue levando a cidade por onde passa. “É no Gama que minha vida acontece”, considera.





