A maternidade vai além de ter no ventre uma nova vida, são escolhas, conexões e amor em todas as formas. Assim começa a história de duas duas mães: a militar Jéssica da Silva Rodrigues Abrantes e a assistente administrativa Jakeline da Silva Rodrigues Abrantes.
Elas decidiram viver juntas a experiência da amamentação dos gêmeos Melinda e Teodoro, nascidos há quase 30 dias. Enquanto Jakeline gestava, Jéssica buscava uma forma de também alimentar os filhos e participar ativamente do processo desde o início. Para especialistas, nada melhor para o bebê do que assegurar a amamentação desde o nascimento.
Inspirada por relatos de outras famílias e após pesquisar sobre indução à lactação, Jéssica levou a ideia ao médico, que prontamente a apoiou. Iniciou o protocolo com medicação cerca de quatro a cinco meses antes do nascimento dos bebês. No dia do parto, foi ela quem os amamentou primeiro — o leite de Jakeline ainda não havia descido.
“É incrível como os bebês reconhecem esse momento com as duas. É um vínculo que vai muito além da alimentação. A amamentação se tornou uma experiência de conexão, de amor, de construção de maternidade”, compartilham as mães.
O revezamento entre elas tornou a rotina mais leve e fortaleceu a presença de ambas no papel de mãe. Segundo elas, observar como eles olham para cada uma na hora de mamar, com a mesma segurança e o mesmo amor, é a certeza de que fizemos a escolha certa.
“Sempre acreditamos que a maternidade é sobre presença, cuidado e vida. A amamentação foi o caminho que fez tudo isso se tornar ainda mais forte na nossa família”, completam Jakeline e Jéssica.
Histórias como essa representam o espírito do Agosto Dourado, campanha que reforça o aleitamento materno como padrão ouro para o início da vida. E mostram a importância de apoio, acolhimento e acesso à informação segura para que cada mulher — em sua realidade — possa amamentar com segurança e confiança.
Orientação e acolhimento fazem a diferença para as lactantes
Todo ano o mês de agosto é dedicado a incentivar o aleitamento materno, mas nem todo mundo sabe que é possível amamentar mesmo sem passar por uma gravidez.
O protocolo de indução da produção de leite tem sido usado por casais homoafetivos que querem fazer dupla amamentação e por mães adotivas. A técnica ainda é pouco conhecida, mas já tem ajudado muitas mulheres.
A indução da produção do leite materno para as mães que não geraram a criança normalmente acontece por meio de tratamento com hormônios e pela indução mecânica, com bombinhas de seios ou com a sucção da própria criança. Para muitas mães, o processo é mais simples, basta a estimulação das mamas.
A neonatologista e coordenadora do Banco de Leite Humano do Hospital Anchieta Taguatinga, Mariana Palhares Temer, explica que o leite materno é completo: fornece todos os nutrientes necessários, protege contra infecções, fortalece o sistema imunológico e contribui para o desenvolvimento neurológico e emocional do bebê. Daí a importância por uma amamentação mais inclusiva, dando a oportunidade do bebê receber o leite materno das duas mães.
“Para esses pequenos, o leite humano é essencial. Ele reduz o risco de infecções, melhora o ganho de peso e pode reduzir o tempo de internação. É mais do que nutrição — é um cuidado que transforma histórias”, reforça.
Bancos de Leite
Mariana Palhares Temer, explica que o leite materno é completo: fornece todos os nutrientes necessários, protege contra infecções, fortalece o sistema imunológico e contribui para o desenvolvimento neurológico e emocional do bebê.
“Nos primeiros dias, o bebê recebe o colostro, um leite riquíssimo em anticorpos, proteínas e fatores de defesa. Ele é considerado a primeira vacina do recém-nascido”, afirma a médica.
A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de aleitamento exclusivo até os seis meses — ou seja, sem necessidade de água, chás ou outros alimentos — e de forma complementar até, no mínimo, dois anos. Além dos efeitos para o bebê, a amamentação também traz benefícios à mãe: ajuda na recuperação pós-parto, reduz o risco de câncer de mama e ovário e fortalece o vínculo com o filho.
Mas, como destaca Mariana Palhares, muitas mulheres enfrentam dificuldades. “A pega incorreta, dores, insegurança sobre a produção e a falta de apoio são barreiras reais. É por isso que o acolhimento profissional é tão importante. Orientação adequada, escuta e incentivo fazem toda a diferença”, afirma.
Mulheres saudáveis, que estejam amamentando, podem doar. Após cadastro e triagem, recebem orientações sobre a coleta e armazenamento. “Em muitos casos, inclusive, a coleta é feita em casa. Uma única doadora pode beneficiar até 10 recém-nascidos”, destaca a especialista.
Agosto Dourado
Campanhas como o Agosto Dourado são essenciais para combater mitos, valorizar o aleitamento e estimular políticas públicas de apoio às mães.
“Ainda precisamos avançar muito: ampliar a licença-maternidade e paternidade, promover salas de apoio nos ambientes de trabalho e fortalecer a rede de apoio emocional e técnico às lactantes. Amamentar não é só um ato biológico — é um compromisso coletivo com a vida”, conclui Mariana Palhares Temer.





