O mês de novembro de 2025 entrou para história em nosso país. O Brasil, mais precisamente a cidade de Belém, no Pará, foi palco do evento mais importante do mundo sobre clima, a Conferência das Partes da ONU – a COP 30. Foram meses de preparação para receber governos, empresas e a sociedade civil para refletirem e debaterem ideias e soluções para o aquecimento global e as mudanças climáticas. E assim foi para cada participante, inclusive para os estudantes e professores das unidades dos Colégios Marista do Brasil e do Chile.
Em Águas Claras/DF, o movimento para COP 30 começou ainda no primeiro semestre do ano, quando o grupo de estudantes que fazem parte do Observatório Marista do Clima começou a organizar ações mais específicas para serem apresentadas na 1ª Conferência do Observatório Marista do Clima, em Belém. Foram meses de preparação, um trabalho que envolveu mais de 200 estudantes de todos os segmentos e, no dia 10 de novembro, três representantes: uma professora e dois estudantes desembarcaram em Belém para partilhar as experiências relacionadas ao Projeto Recanto Agroecológico Marista Águas Claras.
Foram cinco dias de imersão cultural, social, científica e ambiental acolhidos pela unidade Marista Nossa Senhora de Nazaré. Já ao desembarcar no aeroporto, foi possível sentir uma atmosfera tomada pela temática com painéis que a todo momento nos provocavam a pensar sobre o que viveríamos nos próximos dias, acompanhados carinhosamente pelos bonecos de Champagnat e Maria, a boa mãe.
Ao chegar no colégio, fomos recebidos com o tradicional banho de cheiro, uma explosão de boas energias ao som do carimbó. Mais tarde, a abertura da COP Marista seguiu o rito da tradição da floresta, apresentando as lendas amazônicas por meio de um balé com muita cor e movimento que fez, cada um ao seu modo, se render ao ritmo paraense.
Os dias seguiram com acolhidas carregadas de emoção da equipe da pastoral em sintonia com o tema do evento e fundamentada na encíclica Laudato Si, do saudoso Papa Francisco e o cuidado com Nossa Casa Comum. Em seguida, e já muito motivados, deu-se início às atividades programadas para vivenciar de maneira genuína o encontro e o tema.
Uma das atividades que marcaram a programação foi a Roda Viva, que colocou em contato os estudantes maristas com jovens lideranças pelo clima, representantes de comunidades indígenas, quilombolas e ativistas. Foi um momento de reflexão sobre as diferenças dentro de um recorte temático comum, as mudanças climáticas.
Outro momento marcante foi a apresentação das ações climáticas desenvolvidas em cada unidade, em que foi possível perceber o engajamento dos jovens no projeto, o comprometimento com ações futuras. Os estudantes trocaram informações e foram solícitos em estabelecer parcerias entre os colégios para que as ações possam ser experienciadas em diferentes espaços.
No terceiro dia, as delegações se dividiram entre a visita à uma comunidade ribeirinha e a Green Zone na COP 30. Foram duas experiências incríveis que com toda certeza colaboraram com o compromisso de cada um em continuar com ações que garantam a preservação e o cuidado com o planeta.
O encontro foi encerrado com uma celebração marcada pela apresentação do manifesto escrito de forma colaborativa pelos estudantes e pelas manifestações de afeto e saudosismo pelo evento que tocou de maneira muito especial cada participante, aumentando a sinergia e os valores presentes no jeito marista de ser e de pensar o mundo.
Foram cinco dias de experiências significativas a partir de um roteiro planejado para ser intenso. Visitas, partilhas, contatos com diferentes realidades, projetos que atendem problemas diferentes com soluções criativas e que respeitam as demandas e particularidades de cada realidade na qual as unidades maristas estão inseridas. Essa experiência superou muitos momentos formativos em sala de aula, gerando uma conexão real da teoria com a prática.
Além do aprendizado acadêmico, a conferência proporcionou momentos de grande integração. As risadas no almoço e no jantar, a partilha dos quartos no colégio e a ajuda mútua durante as atividades, fortaleceram os laços de amizade e estabeleceram novas conexões. Esses momentos de convivência e a superação de pequenos desafios, como o cansaço ao final do dia e a expectativa diante dos roteiros que se iniciavam, ficarão guardados para sempre e de maneira particular serão lembranças de um compromisso firmado por uma missão legítima que é o cuidado com nossa Casa Comum e com a coletividade.
Artigo de Fabiana Cabral, professora do Colégio Marista Águas Claras.






