Uma iniciativa que causa mais conforto e segurança para as mulheres que usam o metrô completa 10 anos em julho deste ano. A Lei nº 5.678/2016 garante o vagão exclusivo para as mulheres e pessoas com deficiência. O objetivo é fortalecer a fiscalização para um maior amparo dessa parte da população.
Placa que indica o vagão rosa. Foto: Maria Eduarda Barros
Antes da determinação da lei
Antes de existir o vagão determinado para as mulheres no Metrô DF, andar nos transportes públicos de Brasília era desafiador e incerto segundo mulheres entrevistadas pela Agência Ceub.
A comerciante Madalena Camargo, de 56 anos, conta que transportar-se de metrô antes do “vagão rosa” era uma experiência mais difícil e angustiante.
Ela diz que os horários de pico vinham a ser os mais inquietantes. “Eu lembro que, principalmente nos horários de pico, era um aperto enorme. A gente não tinha nenhum tipo de proteção ou alternativa. Era comum ficar com medo o tempo todo porque qualquer aproximação já gerava desconfiança”, relata.
Desconforto
Ela expõe que já passou por situações desconfortáveis e ressalta que tinha uma sensação de impotência principalmente quando essas ocorrências aconteciam.
“Eu mesma já passei por situações bem desconfortáveis, de gente encostando de forma inadequada, e o pior é que, naquele ambiente cheio, era difícil até reagir ou identificar quem estava fazendo aquilo”.
Ela revela sensação de impotência ao imaginar que aquilo podia acontecer de novo a qualquer momento.
Segurança
Cintia Lisboa, de 36 anos, afirma que raramente pega o metrô, porém, apenas utiliza o vagão feminino. Ela diz se sentir mais tranquila e segura quando vai nesse vagão. “Tem mais segurança e eu acho que a gente fica mais confortável também”, diz Cintia.
A estudante Giulia Ferreira, de 22 anos, alega que usa o vagão rosa quase todos os dias e que se sente bem mais segura nele. Ela também acredita que o vagão mantém uma melhor convivência entre as mulheres dentro do transporte público.
“Eu me sinto mais segura. Acho que tem uma vibe boa. Acho que tem uma sororidade entre nós mulheres.” expressa Giulia.

Tranquilidade no trajeto
A paz e a tranquilidade que muitas mulheres exprimem com o vagão das mulheres é algo nítido nos relatos de quem utiliza desse meio de transporte, como é o caso da Juçara da Silva.
Juçara afirma que o vagão feminino lhe trouxe uma percepção de alívio que ela não tinha antes e também declara que sente uma calmaria maior durante o trajeto apesar das adversidades dentro das conduções públicas.
“Depois que comecei a entrar no vagão exclusivo, eu percebi uma diferença muito grande no meu nível de tranquilidade durante o trajeto. Não é que todos os problemas desapareçam, mas existe um respeito maior, um cuidado coletivo entre as mulheres.”
Lotação
Uma questão que muitas mulheres acham negativa a respeito do vagão é a superlotação, principalmente em horário de pico, e, por isso, algumas delas preferem embarcar nos outros vagões do metrô.
Esse é o caso da Maria de Fátima. Ela evidencia o seu incômodo também a respeito dos outros vagões estarem cheios.
“O vagão das mulheres é muito lotado e o outro vagão é bem ruim porque você fica apertada no meio de um monte de homens lá. Às vezes não consegue nem se segurar para ficar em pé.” disse a passageira.
Vulnerabilidade
De acordo com a passageira Mikaela, ela não costuma utilizar o metrô com frequência, porém ela afirma que entra em qualquer vagão pela praticidade. Apesar disso, ela declara que se sente bastante vulnerável quando não está no vagão das mulheres.
“Tenho medo de alguém me importunar. É uma sensação de estar vulnerável no ambiente com muitas pessoas, achar que pode acontecer algo e ninguém vai me defender. Fico com medo da impunidade das pessoas quando alguma coisa (assédio) acontece”, relata Mikaela.
Por Amani Alsahabi, Maria Eduarda Barros e Sabrina de Andrade
Supervisão de Luiz Cláudio Ferreira





