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Tabagismo volta a crescer no Brasil e acende alerta para uso de cigarros eletrônicos entre jovens

O Brasil voltou a registrar crescimento no número de fumantes. Dados do Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), referentes a 2024, apontam que 11,6% da população adulta se declara fumante de cigarro convencional. Em 2023, o índice era de 9,3%. O aumento ocorre após um período de estabilidade registrado desde 2019 e reforça o alerta sobre os impactos do tabagismo na saúde.

A preocupação é ainda maior quando o assunto são os cigarros eletrônicos. Entre adolescentes de 13 a 17 anos, a experimentação desses dispositivos passou de 16,8% para 29,6%, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024).

O tema ganha destaque com a proximidade do Dia Nacional de Combate ao Fumo, 29 de agosto, data dedicada à conscientização sobre os riscos do tabagismo e à prevenção do consumo de produtos derivados do tabaco.

Segundo o pneumologista Dr. Ubirajara Picanço, professor do curso de Medicina do Centro Universitário UNICEPLAC, o cigarro continua entre as principais causas evitáveis de adoecimento e morte. “A fumaça contém milhares de substâncias químicas capazes de provocar inflamações, lesões nos tecidos e alterações no sistema imunológico. E o impacto não se restringe aos pulmões: praticamente todos os órgãos podem ser afetados”, explica o professor.

Segundo o médico, entre as doenças respiratórias mais relacionadas ao tabagismo estão a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), a bronquite crônica, o enfisema pulmonar e o câncer de pulmão. “O cigarro também pode agravar quadros de asma e aumentar o risco de pneumonias, outras infecções respiratórias e tuberculose”, completa.

O perigo do cigarro eletrônico

A popularização dos cigarros eletrônicos, especialmente entre os jovens, representa outro desafio. Apesar da aparência tecnológica e da variedade de aromas e sabores, esses dispositivos também podem expor o organismo à nicotina e a diferentes substâncias potencialmente tóxicas. “Da mesma forma que o cigarro convencional, o cigarro eletrônico faz mal principalmente devido à liberação de nicotina”, afirma o pneumologista.

Ele explica que a nicotina provoca dependência e pode dificultar a interrupção do consumo. “Além dela, os líquidos utilizados nos dispositivos podem conter substâncias como propilenoglicol e glicerina vegetal, usadas como base para a formação do aerossol. Durante o aquecimento, podem ser formados ou liberados compostos como formaldeído, acetaldeído e acroleína. Também podem estar presentes substâncias aromatizantes, como o diacetil, além de metais como níquel, chumbo, estanho e cádmio. A exposição a esses compostos pode provocar irritação e inflamação das vias respiratórias e contribuir para danos pulmonares”.

Além da dependência, o uso de cigarros eletrônicos está associado a problemas respiratórios. Entre os danos citados pelo especialista estão pneumonite, broncopneumonia e bronquiolite obliterante. Há ainda o risco da EVALI, sigla em inglês utilizada para designar lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos.

Proibido no Brasil

A comercialização de cigarros eletrônicos permanece proibida no Brasil. A restrição existe desde 2009 e foi mantida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após processo de revisão. Em 2024, as regras passaram a abranger também fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda desses produtos.

Outro ponto destacado pelo especialista é que o vape não deve ser tratado como estratégia para abandonar o cigarro convencional. “O cigarro eletrônico não deve ser usado da mesma forma que outros produtos comprovados para parar de fumar”, ressalta o médico.

Para o pneumologista, abandonar o tabagismo continua sendo uma das medidas mais importantes para prevenir doenças e preservar a função pulmonar. “A interrupção do tabagismo é a medida mais eficaz para reduzir o risco dessas doenças e retardar a progressão das lesões pulmonares, trazendo benefícios à saúde em qualquer idade”, completa o médico do UNICEPLAC.