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Alerta para os perigos das dietas nutricionais criadas por IA

Cada vez mais brasileiros recorrem à inteligência artificial (IA) em busca de respostas sobre saúde. Segundo um estudo do aplicativo Olá Doutor, sete em cada dez brasileiros já utilizaram alguma ferramenta de IA para esclarecer dúvidas médicas.

A tendência também chegou à alimentação. Cada vez mais pessoas utilizam chatbots, como o ChatGPT, para montar dietas e buscar estratégias de emagrecimento. O problema é que estudos recentes têm acendido um alerta: essas ferramentas frequentemente elaboram cardápios com déficit calórico excessivo, distribuição inadequada de nutrientes e recomendações que desconsideram doenças, uso de medicamentos e características individuais dos pacientes.

Para esclarecer os riscos dessa prática, conversamos com a professora Danielle Luz Gonçalves, coordenadora do curso de Nutrição do Centro Universitário UNICEPLAC. Ela explica que a inteligência artificial pode ser uma importante aliada dos profissionais de saúde, mas jamais substitui a avaliação clínica individualizada.

Quais são os principais riscos de montar uma dieta utilizando ferramentas como o ChatGPT?

O maior risco é acreditar que uma dieta se resume a uma lista de calorias e à proporção de carboidratos, proteínas e gorduras. Uma prescrição nutricional segura depende de exame físico, do histórico de saúde, de exames laboratoriais, do uso de medicamentos e da rotina de vida da pessoa. A inteligência artificial não examina o paciente, não solicita exames e não acompanha sua evolução. Por isso, pode criar planos alimentares com déficits calóricos perigosos, excluir grupos alimentares importantes ou recomendar estratégias incompatíveis com condições de saúde que, muitas vezes, nem foram diagnosticadas.

Que informações a IA normalmente não consegue considerar?

Ela não consegue avaliar aspectos que exigem análise clínica direta, como composição corporal, resultados de exames, uso de medicamentos que interferem no metabolismo, histórico familiar de doenças, alterações hormonais, sintomas gastrointestinais e a relação emocional da pessoa com a alimentação. Também não identifica sinais de transtornos alimentares, que exigem escuta qualificada e acompanhamento profissional.

Existem grupos que correm mais riscos ao seguir dietas elaboradas por inteligência artificial?

Sim. Gestantes, lactantes, crianças em fase de crescimento, idosos com risco de perda de massa muscular e pessoas com diabetes, doenças renais, cardiopatias ou histórico de cirurgia bariátrica precisam de um planejamento alimentar altamente individualizado. Nesses casos, uma orientação inadequada pode provocar hipoglicemia, desnutrição, desequilíbrios metabólicos e outras complicações importantes.

Quais podem ser as consequências das chamadas “dietas da moda” sugeridas pela IA?

Dietas muito restritivas e promessas de emagrecimento rápido podem levar ao efeito sanfona, à perda de massa muscular e à deficiência de vitaminas e minerais. Além disso, reforçam uma relação negativa com a alimentação, fazendo com que as pessoas passem a enxergar alimentos como “permitidos” ou “proibidos”, sem qualquer embasamento científico.

Em quais situações a inteligência artificial pode ser uma aliada do nutricionista?

A IA pode ser bastante útil como ferramenta de apoio. Ela pode sugerir receitas dentro de um plano alimentar já elaborado pelo nutricionista, organizar listas de compras, criar lembretes dos horários das refeições e da suplementação e auxiliar na produção de materiais educativos. Porém, essas ferramentas devem ser utilizadas sempre sob supervisão do profissional. A tecnologia complementa o atendimento, mas não substitui a consulta nutricional.