O Jornal Capital do Entorno recebeu o deputado distrital Eduardo Pedrosa para uma entrevista exclusiva sobre temas importantes da atuação do parlamentar. Durante a conversa, o parlamentar revelou, com exclusividade ao jornal, novos detalhes sobre iniciativas previstas para o Gama, que envolvem esporte, lazer e inclusão. Entre os assuntos abordados estão a criação da Região Administrativa de Ponte Alta Norte, as demandas da região, a relação com o time do Gama e o trabalho desenvolvido junto ao clube de futebol da cidade. Pedrosa também falou sobre políticas voltadas às pessoas com deficiência e pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), além de defender investimentos em acessibilidade, esporte e formação de jovens.
A separação de Ponte Alta Norte
Questionado sobre a quem interessa a criação da nova RA e o que muda, na prática, para os moradores, Pedrosa defende que a separação responde a realidades administrativas distintas entre o Gama e a Ponte Alta Norte. Segundo ele, a ideia é permitir que Ponte Alta Norte receba estrutura própria e que o Gama tenha condições de investir nas próprias demandas, já que as duas regiões atualmente enfrentam problemas distintos.
“A Ponte Alta Norte é uma região que tem características muito diferentes do Gama”, afirmou, citando como exemplo a diferença entre as necessidades de saúde das duas localidades: enquanto o Gama já conta com estrutura hospitalar, a nova RA carece de serviços de entrada, como Unidade Básica de Saúde (UBS). O deputado também apontou a regularização fundiária como um ponto central do processo, visto que, com a criação de uma administração própria, a região terá mais suporte para resolver essa demanda.
Gama, futebol e identidade
Pedrosa também é reconhecido por sua proximidade com o time de futebol do Gama. Ao ser perguntado sobre o que o clube representa para ele e para a identidade do Distrito Federal, respondeu que “o que diferencia o Gama das outras cidades é o senso de comunidade e o time representa isso”. O distrital também destacou que o emblemático estádio Bezerrão serve como espaço de convivência entre diferentes pessoas.
O deputado relembrou o período de dificuldades financeiras do clube, quando partidas chegaram a ser ameaçadas por atrasos salariais dos jogadores, e destacou sua atuação para a melhoria da situação do time. Ele também evidenciou a trajetória recente da equipe, que conquistou a classificação da Série D para a Série C do Campeonato Brasileiro. Eduardo fez questão de diferenciar quem esteve ao lado do clube nos momentos difíceis de quem, segundo ele, hoje se aproxima por interesse eleitoral. “Quero deixar isso como legado para a comunidade, porque agora aparece muita gente ajudando”, ressalta.
O distrital considera que a falta de uma política permanente do poder público de apoio aos times tradicionais do DF é o principal obstáculo enfrentado pelo Gama. Eduardo acredita que o clube de futebol deveria ser o responsável pela administração do estádio e que o GDF deve apoiar ainda mais os programas de categorias de base. “O Gama é referência, estou articulando para que isso aconteça, para que a gente consiga aproximar a política com o futebol. Sei que são coisas diferentes e que não queremos que nenhum time dependa de nenhum político, mas precisamos de pessoas que lutem e chamem a atenção do poder público para a necessidade de valorizar o esporte da cidade”, afirma.
A partir de políticas permanentes, o deputado acredita que se abrem possibilidades da criação de projetos com foco em ajudar crianças e adolescentes a serem cidadãos melhores e também contribui para dar visibilidade à região, movimentar a economia local, atrair pessoas para a cidade e criar oportunidades para que se orgulhem de terem nascido no Gama e no DF. O distrital frisa que “agora estamos tendo uma geração que nasceu em Brasília. Antigamente, as pessoas vinham para cá de algum lugar e formavam as famílias. Hoje temos gerações de pessoas nascidas no DF que querem criar raízes com projetos de suas cidades”.
Próximos passos para a inclusão
Autor do PL 201/2019, hoje lei, que instituiu diretrizes para a Política Distrital de Atendimento e Diagnóstico às Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Pedrosa explicou que a pauta da inclusão também atingiu o futebol da cidade com um programa de atendimento de pessoas com TEA dentro dos estádios, iniciativa à qual o Gama foi o primeiro clube a aderir.
Em exclusividade, Eduardo afirma a criação de uma quadra poliesportiva voltada para atender a população do Residencial Gamaggiore e os outros moradores do Gama. “Vamos colocar esse equipamento para que as pessoas possam usufruir em comunidade e com espaço de lazer para os idosos”, afirma.
O deputado destacou a articulação de seu mandato na criação da primeira unidade da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) no Gama, com inauguração prevista para o próximo ano.
Pedrosa também defende mais monitores escolares, capacitação de professores para atender as crianças e a regulamentação da política de alimentação seletiva para crianças atípicas. Mencionou ainda o apoio ao BSB Quad Rugby, time de rugby em cadeira de rodas do Gama com referência nacional. O deputado afirma ter viabilizado a aquisição de cadeiras e a ampliação de espaços de treino.
Sobre acessibilidade na região, o distrital defende um programa amplo e integrado, e não soluções pontuais. “Para uma acessibilidade efetiva, é necessária uma rede completa e complexa que se une. Não faz sentido fazer acessibilidade de um lado da rua e, do outro lado da rua, a pessoa não conseguir atravessar uma faixa de pedestre sem acessibilidade”, exemplificou. Para ele, Brasília, por ser uma cidade planejada, deveria ser referência nacional em acessibilidade urbana, incluindo o transporte público, área em que aponta problemas como a impossibilidade de dois cadeirantes utilizarem o mesmo ônibus.
O deputado também defendeu políticas voltadas à juventude, com foco em qualificação profissional e tecnologia nas escolas, citando o programa Brasil.IA como referência. Entre suas propostas está a criação de uma unidade da Universidade do Distrito Federal no Gama, para reduzir a evasão de jovens que precisam escolher entre trabalhar e estudar por causa da distância até instituições públicas, além da defesa de cotas de primeiro emprego dentro do próprio poder público.






