O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, celebrado em 10 de setembro, chama a atenção para a importância do cuidado com a saúde mental e da prevenção ao longo de todo o ano. A mobilização busca ampliar o diálogo sobre o tema, combater o estigma e incentivar pessoas em sofrimento a procurar apoio.
Dados atualizados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo. As estimativas globais consolidadas mais recentes apontam 727 mil mortes em 2021. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.
Os dados também mostram que 73% das mortes por suicídio ocorreram em países de baixa e média renda e que 56% aconteceram antes dos 50 anos. Os números reforçam que o suicídio é um problema de saúde pública que atinge diferentes regiões e grupos sociais.
Para o psiquiatra Dr. Raphael Boechat, professor do curso de Medicina do Centro Universitário UNICEPLAC, não existe uma única causa que explique o comportamento suicida. Cada situação precisa ser compreendida de forma individualizada. Segundo o professor, transtornos mentais, como quadros graves de depressão, podem estar associados ao risco, mas existem diferentes fatores que precisam ser considerados. “Nem sempre o suicídio é resultado de uma doença. Em muitos casos, pode estar relacionado a uma depressão grave, mas existem diferentes razões. Há também tentativas impulsivas, de pessoas que estão atravessando um momento difícil, muitas vezes associadas ao uso de álcool e outras drogas”, explica.
Entre os fatores de risco, Boechat destaca o isolamento social, a ausência de vínculos afetivos e familiares e o uso abusivo de álcool e outras drogas. O médico também chama a atenção para as diferenças observadas entre homens e mulheres. “Embora as mulheres apresentem maior número de tentativas, os homens registram maior mortalidade por suicídio, entre outros fatores, pela utilização de métodos mais letais”, explica.
Tratamento deve considerar cada caso
O psiquiatra ressalta que não existe uma fórmula única para o tratamento. “O tratamento não é apenas medicamentoso ou apenas psicoterápico. Normalmente envolve uma associação de medicação, terapia, mudanças de hábitos e outros fatores. É algo muito individualizado”, orienta o Dr. Raphael.
Socialização como fator de proteção
Se o isolamento social pode aumentar a vulnerabilidade, o fortalecimento dos vínculos pode funcionar como fator de proteção. Participar de atividades coletivas, manter relações afetivas e construir redes de apoio são aspectos destacados pelo especialista. “Os fatores de proteção da saúde mental são justamente o oposto de muitos fatores de risco. A socialização e o envolvimento em atividades de grupo são importantes. Vivemos um cenário de maior isolamento social, que se intensificou durante a pandemia, e alguns desses hábitos permaneceram”, observa Boechat. Para o professor, a prevenção precisa considerar a realidade de cada pessoa, suas relações, condições de saúde e contexto de vida.
Tema ganha espaço na formação médica
A discussão sobre suicídio e saúde mental também passou a ocupar mais espaço na formação dos futuros médicos. De acordo com Boechat, houve uma mudança significativa nas últimas décadas na maneira como o assunto é abordado dentro e fora das universidades. “Na Faculdade de Medicina, hoje falamos muito mais sobre o tema do que há 20, 30 ou 40 anos. A sociedade também passou a olhar mais para esse problema”, afirma. Para ele, iniciativas como o Setembro Amarelo ajudam a levar a discussão para além dos profissionais da saúde. “O Setembro Amarelo é uma forma de chamar a atenção de toda a sociedade para o problema. Precisamos falar sobre prevenção, reconhecer situações de risco e saber como buscar ajuda”, conclui.






