Todas as quartas-feiras, o Clube do Choro de Brasília promove encontros musicais que aproximam estudantes, professores e músicos por meio de um dos gêneros tradicionais da música brasileira. A iniciativa contribui para a divulgação do choro, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em fevereiro de 2024.
Além das rodas musicais, a instituição mantém uma escola dedicada ao ensino musical e realiza atividades que incentivam a formação de novos músicos. Para o presidente do Clube do Choro, Henrique Lima Santos Filho, a preservação dessa tradição é fundamental para valorizar a identidade cultural brasileira e ampliar o reconhecimento da música nacional.
Patrimônio cultural
O reconhecimento do choro como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil ocorreu em 29 de fevereiro de 2024, quando o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Iphan aprovou o registro do gênero musical no Livro das Formas de Expressão. A solicitação contou com a participação do Clube do Choro de Brasília, do Instituto Casa do Choro, do Clube do Choro de Santos e de músicos e apreciadores de diferentes regiões do país.
Para Henrique Lima Santos Filho, jornalista, produtor cultural e presidente do Clube do Choro, a importância desse reconhecimento está relacionada à valorização da história e das influências que formaram a música brasileira.
“O choro é um gênero musical que está na base da música brasileira. Ele é anterior ao samba”, afirma.
Segundo o presidente, o gênero reúne influências africanas, indígenas e europeias, que contribuíram para a construção de uma sonoridade própria. Henrique (Conhecido como “Reco do Bandolim”) também destaca a importância de divulgar compositores que ajudaram a desenvolver a música popular brasileira, como Pixinguinha, Jacob do Bandolim e Ernesto Nazareth.
Ensino
Além de promover a divulgação do gênero, o Clube do Choro mantém uma escola voltada ao ensino musical, que recebe estudantes com diferentes níveis de conhecimento. As atividades permitem que os alunos desenvolvam habilidades com instrumentos e aprofundem o contato com a tradição do choro.
O professor e músico profissional João Ferreira da Silva Neto, de 35 anos, conhece a instituição tanto como aluno quanto como educador. Ele estudou no local, retornou em 2017 com o objetivo de se profissionalizar e, posteriormente, passou a trabalhar como professor.
Para João, a oportunidade de ensinar surgiu da relação construída com a música ao longo dos anos. Ele também destaca a contribuição do Clube do Choro para a movimentação cultural de Brasília, por meio das rodas musicais realizadas na escola e no Parque da Cidade.
Segundo o professor, a instituição funciona como um espaço de aprendizado, lazer e convivência. Ele relata que, ao longo de sua experiência, encontrou pessoas que reconhecem positivamente o trabalho desenvolvido no local.
Música
A escola também recebe estudantes que procuram retomar o contato com a música depois de períodos afastados da prática musical. É o caso do jornalista e aluno Otávio Augusto Pereira Mota, de 26 anos, que começou a frequentar as aulas no segundo semestre de 2026 para voltar a estudar flauta transversal.
Depois de passar anos sem tocar, ele encontrou no Clube do Choro uma oportunidade de recuperar conhecimentos e se aproximar novamente da arte.
Para Otávio, o aprendizado não se limita à leitura de partituras ou ao domínio técnico do instrumento. A convivência com pessoas que compartilham o mesmo interesse também faz parte da experiência.
“A melhor coisa que aprendi foi o contato com o outro, com as outras pessoas, e poder conversar sobre música com pessoas que têm o mesmo interesse”, afirma.
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Por Mariana Mazzaro
Supervisionado por Luiz Cláudio Ferreira



