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Cuidado com a exposição ao sol no Carnaval

Pedro Brito, 30 anos, advogado, achou que era apenas empolgação de Carnaval. Passou horas no bloco, glitter no corpo, bebida na mão e zero preocupação com o sol escaldante de Belo Horizonte, onde curtia a folia. O calor parecia parte da festa, até deixar de ser. “O calor na hora a gente não sente. Se deixa levar pelo momento”.

Pedro conta que o problema começou no dia seguinte, quando acordou com dor de cabeça forte, vermelhidão na pele, ardência. “Passei muito mal. Procurei atendimento na UPA. Descorbri que tive uma insolação. Tomei medicação, usei pomadas… e praticamente perdi os outros dias de folia.”

O relato é mais comum do que parece, insolação não é frescura e pode virar emergência. Durante o Carnaval, as unidades de saúde registram aumento de atendimentos por desidratação, queimaduras solares, exaustão pelo calor e insolação.

O que acontece com o corpo no sol

Quando o corpo permanece exposto por muito tempo a altas temperaturas, ele tenta se resfriar por meio do suor. Se a perda de líquidos não é compensada com hidratação adequada, ocorre desidratação.

Em situações mais graves, a temperatura corporal sobe de forma descontrolada. É a chamada insolação. “É uma condição séria. O corpo perde a capacidade de regular a própria temperatura e isso pode levar a complicações importantes, inclusive neurológicas”, explica a dermatologista Danielle Aquino, do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF).

A médica explica que os principais sintomas são:

·        Dor de cabeça intensa

·        Tontura

·        Náuseas

·        Pele muito quente e avermelhada

·        Febre

·        Fraqueza

·        Confusão mental

Sem atendimento adequado, o quadro pode evoluir para emergência médica.

Protetor solar: como usar corretamente

Um dos erros mais comuns no Carnaval é aplicar protetor solar apenas uma vez, antes de sair de casa. Com suor intenso e contato com água, o produto perde eficácia. “A reaplicação é fundamental. Não adianta passar protetor apenas pela manhã e achar que está protegido o dia inteiro”, orienta Danielle Aquino.

As recomendações incluem:

·        Usar protetor com FPS 30 ou superior

·        Aplicar de 15 a 30 minutos antes da exposição

·        Reaplicar a cada 2 horas

·        Reaplicar sempre após suar muito ou entrar na água

·        Não esquecer orelhas, pescoço, pés e parte de trás das pernas

Outra dúvida comum envolve o glitter. Produtos que não foram testados dermatologicamente podem causar irritação na pele e, se atingirem os olhos, provocar ardência e inflamação. O ideal é procurar itens próprios para uso cosmético e evitar aplicação próxima à região ocular.

Roupas e acessórios que ajudam

·        Boné ou chapéu de aba larga

·        Óculos de sol com proteção UV

·        Roupas leves e claras

·        Tecidos que facilitam a ventilação

·        Garrafinha de água sempre por perto

Também é recomendado evitar exposição direta ao sol entre 10h e 16h, quando a radiação ultravioleta é mais intensa.

Cuidados redobrados com crianças

Blocos infantis e matinês também exigem atenção. Crianças desidratam mais rápido e nem sempre conseguem identificar os próprios sintomas. “Elas dependem totalmente da observação dos adultos. Irritabilidade excessiva, sonolência e pele muito quente são sinais de alerta”, reforça a dermatologista do Hospital de Base.

Entre os cuidados extras estão:

·        Oferecer água com frequência

·        Reaplicar protetor com maior regularidade

·        Evitar exposição nos horários de pico

·        Garantir pausas em locais sombreados

Queimadura solar: o que fazer e como evitar

Se a pele ficar vermelha e dolorida, é preciso agir rapidamente.

O que fazer:

·        Sair imediatamente do sol

·        Tomar banho frio ou morno

·        Beber bastante líquido

·        Usar hidratantes calmantes indicados por profissional de saúde

O que não fazer:

·        Não estourar bolhas

·        Não aplicar receitas caseiras (como pasta de dente ou manteiga)

·        Não voltar à exposição solar até a recuperação

Em caso de bolhas extensas ou dor intensa, é importante procurar avaliação médica.

Quando procurar atendimento

Alguns sinais indicam que é hora de buscar ajuda imediata:

·        Febre alta

·        Desmaio

·        Confusão mental

·        Vômitos persistentes

·        Pele muito quente e seca

No Distrito Federal, a população pode procurar:

UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) para quadros moderados e urgências

Hospitais Regionais, em casos mais graves

Em situações com risco iminente à vida, acionar o Samu pelo telefone 192

“O Carnaval é tempo de alegria, mas a prevenção é essencial para que a folia não termine em emergência. Protetor solar, hidratação constante e atenção aos sinais do corpo são aliados indispensáveis para aproveitar a festa com segurança”, conclui Danielle Aquino.