O Catetinho foi o primeiro projeto assinado por Oscar Niemeyer para Brasília. Erguido para abrigar Juscelino Kubitschek durante o acompanhamento das obras da nova capital, o espaço está localizado na região administrativa do Park Way, próximo ao Gama. Hoje, o Museu do Catetinho é considerado o marco inicial da cidade e permanece como símbolo de sua origem.
Construído em 1956, o Catetinho foi o primeiro ponto de apoio utilizado por JK nas visitas ao canteiro de obras. O local também recebeu diretores, engenheiros e outras personalidades. Apesar de ser frequentemente chamado de residência oficial, o espaço tinha caráter provisório. “O Catetinho não foi exatamente uma residência oficial, mas um local provisório, um ‘quebra-galho’, para que Juscelino Kubitschek pudesse permanecer na região durante as visitas às obras”, explica o geógrafo Paulo Henrique Souza. A simplicidade da estrutura contrasta com os edifícios monumentais projetados posteriormente por Niemeyer, evidenciando o caráter emergencial do início da construção de Brasília.
A localização do Catetinho ainda gera dúvidas. Embora esteja situado no Park Way, mantém forte relação histórica com o Gama. “Na época, a área fazia parte da Fazenda Gama, uma das várias fazendas existentes na região. Por isso, até hoje há essa confusão entre Gama e Park Way”, afirma o especialista. O geógrafo também contesta a ideia de território vazio antes da construção da capital. Segundo ele, essa percepção não corresponde à realidade, já que existiam fazendas, moradores e uma dinâmica social na região.
Mais do que um ponto de apoio, o Catetinho também funcionou como espaço de convivência e produção cultural. Durante a construção da cidade, nomes como Tom Jobim e Vinicius de Moraes passaram pelo local, onde criaram a obra Sinfonia da Alvorada, segundo relatos históricos.
Mesmo com sua relevância histórica, o Catetinho ainda é pouco valorizado por parte da população, especialmente em comparação com outros pontos turísticos da cidade. Durante o aniversário de Brasília, no entanto, o espaço ganha destaque como símbolo do início da capital. Para Paulo Henrique, o valor do Catetinho vai além da história oficial, “ele funciona como um marco físico da memória. Sem referências como essa, fica mais difícil contar e preservar a história de Brasília”, conclui.
Ana Vitória Rafalovik





