A sepse, uma das principais causas de morte em hospitais em todo o mundo, está no centro de uma das mais importantes iniciativas globais da medicina intensiva: a Surviving Sepsis Campaign (SSC). Na atualização mais recente, divulgada nesta segunda-feira (23), o Brasil ganha destaque com a participação ativa de especialistas nacionais, entre eles o coordenador médico regional de Terapias Intensivas dos Hospitais Anchieta, Marcelo Maia.
A campanha reúne profissionais de diferentes países com o objetivo de estabelecer recomendações baseadas em evidências para o diagnóstico e tratamento da sepse e do choque séptico. Desde sua criação, em 2002, a iniciativa tem contribuído para padronizar o atendimento e reduzir a mortalidade associada à doença.
Ele avalia que a participação brasileira nesse processo é estratégica, especialmente por trazer a realidade de sistemas de saúde complexos como o do país. “A construção dessas diretrizes precisa considerar cenários diversos. A experiência brasileira contribui para recomendações mais aplicáveis, que possam ser implementadas tanto em centros altamente estruturados quanto em locais com maior limitação de recursos”, ressalta.
Avanços no tratamento da sepse
A atualização da SSC 2026 marca uma mudança importante na forma de conduzir o tratamento. Se antes o modelo era baseado em protocolos mais rígidos, agora a tendência é uma abordagem mais individualizada, que leva em conta as características de cada paciente.
Entre os principais avanços está a revisão do uso de antibióticos, que passa a considerar o risco clínico antes da administração imediata, além de maior cuidado na reposição de líquidos e no uso de medicamentos para estabilizar a circulação. A diretriz também amplia o uso de biomarcadores e incorpora novas tecnologias, como inteligência artificial, para auxiliar na tomada de decisão médica.
Para o especialista, essas mudanças representam um passo importante na busca por um cuidado mais seguro e eficaz. “Hoje entendemos que a sepse não é igual para todos os pacientes. Quanto mais conseguimos individualizar o tratamento, maiores são as chances de melhorar os resultados e evitar complicações”, afirma.
Protagonismo brasileiro
A presença de médicos brasileiros na elaboração das diretrizes reforça o papel do país na medicina intensiva global. O Brasil conta com uma das maiores redes de unidades de terapia intensiva do mundo e acumula experiência relevante no cuidado de pacientes críticos, além de iniciativas de qualidade assistencial reconhecidas internacionalmente.
Esse protagonismo também contribui para que as recomendações sejam mais inclusivas e adaptadas à realidade de diferentes sistemas de saúde. Ao mesmo tempo, permite que avanços científicos cheguem mais rapidamente à prática clínica no país.
“A participação em um projeto como esse fortalece não apenas a produção de conhecimento, mas também a aplicação prática dentro das UTIs. É uma oportunidade de trazer para o Brasil o que há de mais atualizado no manejo da sepse”, destaca Marcelo Maia.
O que é a sepse e por que ela exige atenção
A sepse é uma resposta inflamatória grave do organismo a uma infecção e pode levar à falência de órgãos se não for tratada rapidamente. O reconhecimento precoce e o início imediato do tratamento são fundamentais para aumentar as chances de sobrevivência.
Com a evolução das diretrizes internacionais, a expectativa é avançar não apenas na redução da mortalidade, mas também na qualidade do atendimento, evitando tanto atrasos quanto intervenções desnecessárias.
A atualização da Surviving Sepsis Campaign 2026 reforça esse novo momento da medicina intensiva, em que o cuidado passa a ser cada vez mais baseado em evidências, tecnologia e decisões personalizadas — com impacto direto na vida dos pacientes.



