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Pesquisa do MEC confirma adesão de 92% das escolas à restrição de celulares

A restrição ao uso de celulares para fins não pedagógicos já é realidade em 92% das escolas brasileiras, segundo pesquisa nacional divulgada pelo Ministério da Educação (MEC). O levantamento, realizado com 8.189 escolas públicas e privadas, mostra que 45% dos gestores consideram a medida consolidada e outros 47% afirmam que ela está em processo de consolidação.

Os dados apontam ainda mudanças significativas nas regras de uso dos aparelhos dentro das instituições. Antes da lei, 13% das escolas permitiam o uso irrestrito dos celulares; atualmente, esse índice caiu a zero. Já as escolas que restringem os aparelhos em todos os ambientes passaram de 20% para 48%. O principal desafio segue concentrado no ensino médio.

No Colégio Católica Brasília, o debate sobre o uso consciente da tecnologia começou antes mesmo da legislação federal. Para a diretora Joana Pinheiro, a discussão nunca esteve centrada na proibição da tecnologia, mas na construção de hábitos mais saudáveis. “A discussão nunca foi sobre ser contra ou a favor da tecnologia. O celular faz parte da vida dos estudantes e continuará fazendo. O desafio é ensinar quando, como e para qual finalidade ele deve ser utilizado. A escola precisa preservar espaços de atenção, convivência e interação humana”, afirma.

Segundo a diretora, a adaptação dos estudantes ocorreu de forma tranquila porque a escola priorizou o diálogo e a conscientização. “Quando todos entendem que a medida tem finalidade educativa, a adaptação acontece de forma muito mais natural.”

Reflexos positivos no ambiente escolar

De acordo com Joana, a equipe pedagógica já percebe avanços na convivência e na aprendizagem, com aumento das interações presenciais, melhora da atenção durante as aulas e maior participação dos estudantes nas atividades propostas. “Os estudantes passaram a conversar mais entre si nos intervalos, participar com mais atenção das aulas e demonstrar maior envolvimento nas atividades. São mudanças que parecem simples, mas fazem diferença na qualidade das relações dentro da escola”, destaca.

Ela ressalta, no entanto, que o uso equilibrado da tecnologia exige um trabalho contínuo entre escola e família. “Muitos jovens já desenvolveram uma relação muito intensa com as telas, e isso não muda apenas com uma norma. O maior desafio é formar uma cultura de uso consciente da tecnologia.”

Estudantes aproveitam o intervalo escolar sem celular para práticas esportivas no Colégio Católica Brasília. Foto: Divulgação

Tecnologia segue como aliada pedagógica

A diretora reforça que a restrição ao uso recreativo dos celulares não significa afastar a tecnologia da educação. Plataformas digitais, recursos interativos e ferramentas pedagógicas continuam presentes nas atividades escolares, desde que utilizados com objetivos educacionais definidos. “O papel da escola hoje não é afastar o estudante da tecnologia, mas ensiná-lo a fazer um uso equilibrado, crítico e responsável dela. Essa talvez seja uma das competências mais importantes que precisamos desenvolver nas novas gerações”, conclui.