Agentes de saúde e de endemias participam de capacitação em Abadiânia e Alexânia

O controle ao caramujo africano, saneamento básico, agrotóxico e o meio ambiente, alimentação saudável, mortalidade materna, doenças de veiculação hídrica e vetores foram alguns dos temas tratados durante dois cursos de Capacitação de Agentes de Saúde e Endemias, que a Corumbá Concessões realizou em Alexânia e Abadiânia, respectivamente nos dias 25 e 26 de outubro e nos dias 6 e 7 de novembro. As ações fazem parte do Programa de Atenção Básica em Saúde, que está sendo levado aos municípios do entorno do reservatório de Corumbá IV, com o objetivo de contribuir para a formação e qualificação do trabalho desses profissionais de saúde.

“A poluição por agrotóxicos é um dos vários tipos de contaminantes da natureza causados pela mão do homem e tem um efeito devastador para o equilíbrio do ecossistema, causando diversas doenças aos seres humanos, aos animais e à natureza em geral”, comentou a analista ambiental da Corumbá Concessões, Marinez de Castro, sobre a palestra de tema “Agrotóxicos e o Meio Ambiente, proferida pelo técnico agropecuário e coordenador dos trabalhos em campo, Luciano Andrade.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), o Brasil ocupa o 7º lugar na relação da quantidade de produtos agrotóxicos aplicados por hectare de terra cultivada. Já no volume total, o Ministério do Meio Ambiente informa que estamos em primeiro lugar. Entre os pesticidas mais usados e perigosos para a saúde estão o glifosato, o acefato, os organoclorados e os herbicidas paraquat.

Luciano Andrade comentou que a presença dos agrotóxicos no dia a dia das famílias é silenciosa e, muitas vezes, imperceptível. “Quando as pessoas vão comprar legumes e frutas, escolhem os mais bonitos e vistosos, como o tomate, o pimentão, a berinjela e o morango, sem saber que estes produtos são os campeões de veneno. Porém, nem todos sabem disso”. Andrade acrescentou que os agricultores não querem mais produzir como antigamente, de forma artesanal, e acabam usando os agrotóxicos para não perderem a rentabilidade, o que causa grande impacto ao meio ambiente.

“Os agrotóxicos causam câncer, alergias, doenças mentais e renais, entre outras, que muitas vezes são de difícil diagnóstico e não são detectadas a tempo”, explicou o técnico. Outro campeão de veneno de alimento presente diariamente na mesa das famílias é o feijão, cuja lavoura recebe grande pulverização dos agrotóxicos.

Andrade é presidente da Coopindaiá, cooperativa de Luziânia que congrega 450 agricultores de alimentos agroecológicos. Esse tipo de produção, na opinião de Luciano, mudou a vida dessas famílias. “As informações e orientações sobre a mudança de hábitos alimentares poderão ser replicadas pelos agentes de saúde e endemias às famílias nas visitas domiciliares”, disse.

Mortalidade materna

Outro assunto tratado no primeiro dia do curso em Abadiânia, pela bióloga Danúbia Carrilho, foi mortalidade materna. Segundo ela, as mulheres que são mais vulneráveis, no Brasil, são as de baixa escolaridade, baixa renda familiar, as negras e as adolescentes, que sofrem preconceito nas consultas periódicas e na hora da emergência do parto, nas unidades de saúde pública. “Já no primeiro atendimento, na recepção, elas são marginalizadas e muitas vezes não recebem a atenção a que têm direito, até porque elas não sabem quais são esses direitos e não conseguem reinvindicar ou questionar algo sobre a sua saúde. A gestante tem direito a um pré-natal, com consultas e devidos exames, com dignidade, e essas informações importantes os agentes de saúde devem passar às mulheres durante as visitas mensais”, disse.

Uma política de saúde salva muitas vidas, evita a morte materna, e esta fase de acolhimento vai do início da gestação até 42 dias após o nascimento da criança. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a média é de 62 mortes maternas a cada 100 mil nascidos vivos. A meta é reduzir esses números, até 2030, para 30 mortes maternas a cada 100 mil nascidos vivos. “Já no Canadá e na Suécia não há metas e hoje acontecem, respectivamente, 3 e 1 mortes a cada 100 mil nascidos vivos”, comparou Danúbia Carrilho.

Acolhimento na Atenção Primária nos postos de saúde foi o tema da exposição da enfermeira Laiana Kelly Liberato, especialista em Saúde da Família. Ela explicou que o atendimento começa quando o agente comunitário de saúde (ACS) faz a visita domiciliar, se estendendo às outras equipes da unidade. “Se o paciente procura o posto de saúde e é mal atendido ele fica insatisfeito e perde a confiança no ACS, que é o primeiro contato que ele tem, em sua própria casa. Por isso, é preciso que esse acolhimento seja de qualidade em todo o processo, da triagem à consulta e prescrição médica”, explicou.

Laiana Liberato exemplificou o caso de Luziânia, informando que há dois anos, funciona nas Unidades de Básicas de Saúde (UBFs) a Planificação da Atenção Primária que consta, entre outras mudanças, o funcionamento de laboratório e agenda livre para exames, consultas e procedimentos, para evitar que pacientes tenham que voltar mais vezes quando há falta de profissionais ou alteração no horário de consultas. “Com a planificação, todas as equipes passaram a se envolver na troca de informações sobre cada paciente, gerando interesse no encaminhamento e solução dos casos e, assim, houve uma melhora no atendimento”, comentou a enfermeira.

A capacitação em Abadiânia teve a participação de 46 agentes de saúde, dos quais 13 são de agentes comunitário de endemias. Para a secretária de Saúde do município, Alaídes Gomes Araújo, o curso foi muito importante: “Nossas demandas em saúde estão aumentando e os temas abordados são de extrema importância para os agentes de saúde e endemias, que são a porta de entrada do paciente. Com mais conhecimento, eles saberão encaminhar os pacientes para o tratamento adequado”.

Capacitação em Alexânia

Saneamento básico e saúde ambiental, controle do caramujo africano e a questão dos agrotóxicos foram temas abordados em aulas expositivas participativas no curso de capacitação realizado em Alexânia, com a participação de 60 ACSs e ACEs. No segundo dia, o curso aconteceu na Escola Agrícola Lothar Schiller, com a participação do secretário municipal de Saúde do município, Rafael Costa Gonçalves, onde foi instalada uma fossa séptica biodigestora.

“Encerramos o curso com chave de ouro montando um sistema de fossa ecológica, que prendeu muito a atenção dos agentes, um aprendizado que eles irão replicar nas visitas às famílias carentes do município e que também levarão, individualmente, para o resto das suas vidas”, disse Luciano Andrade. Ele explicou que a fossa negra contamina o solo e o lençol freático, causando doenças como verminose, contamina as fontes de água para o consumo humano, enquanto a fossa séptica elimina totalmente a contaminação do lençol freático, levando dignidade e saneamento básico às famílias. O sistema custa cerca de R$ 800,00, tem capacidade para conectar dejetos do vaso sanitário de até quatro residências próximas.

Essas famílias, segundo ele, podem construir a fossa em regime de mutirão, ratear os custos e se revezarem na manutenção do sistema, colocando uma vez por mês esterco bovino, que contém a bactéria do ruminante para matar os patógenos das fezes humanas. Além disso, o sistema transforma os dejetos em fertilizante orgânico 99,9% tratado, podendo ser usado para irrigar e adubar as plantas.

Caramujo africano

Essa época de início das chuvas, quando o solo fica úmido e quente, é propícia à proliferação do caramujo africano, nas áreas rural e urbana. Levado ao curso como um dos temas centrais, essa espécie exótica (invasora) Achatina fulica, foi introduzida no Brasil há 40 anos, durante uma feira agropecuária no Paraná, com o objetivo de ser criada e comercializada como substituta do escargot. No entanto, a ideia não vingou e os animais foram soltos na natureza. O caramujo contamina humanos, de forma indireta, por ser hospedeiro de vermes, é generalista (come tudo o que vê pela frente) e, por não ter predadores, destrói plantações, da raiz às folhas. O controle ao caracol gigante africano é dificultado pela falta de informação das pessoas sobre como fazê-lo e, principalmente, porque ele é hermafrodita (tem os dois sexos), e procria com grande rapidez. Um molusco pode chegar a medir 15 cm, tem de 3 a 5 posturas por ano, de 200 a 600 ovos em cada postura.

Segundo a ACS de Alexânia, Rosângela Ribeiro, no distrito de Olhos D´água há grande incidência de caramujo africano. Ela disse que há poucos anos atrás, agentes fizeram a catação de animais, porém, não sabiam que tinham que eliminar as carapaças, que acumularam água de chuva e viraram criadouros do mosquito da dengue, o Aedes Aegipty. “Nesse curso nós aprendemos como lidar corretamente com o problema”, disse. Quanto à fossa séptica, Rosângela disse que a montagem é fácil e o custo é baixo. “Tudo o que aprendi foi excelente e agora estou apta e certificada para replicar esse conhecimento nas minhas visitas, com o intuito de melhorar a saúde das famílias. Parabéns aos organizadores”, elogiou.

Sandra Ingrid Rosa, agente de saúde de Olhos D´Água, avaliou como “excelente” a capacitação. “Nós percebemos que devido à escassez da água, o aumento de poços artesianos está alarmante, principalmente na área rural onde cresce o desmatamento, por falta de conhecimento sobre a proteção das nascentes”, disse. Sandra acrescentou que a fossa ecológica é uma tecnologia que ajuda a melhorar a qualidade da água.

Para o diretor interino da Escola Lothar Schiller, Valdivino dos Reis, os benefícios da fossa ecológica vão ser muito grandes. “Muita coisa ensinada aqui eu não sabia, como fazer a manutenção da fossa com esterco bovino, para manter o sistema ativo. Melhor ainda foi saber que poderemos usar o fertilizante orgânico nas plantas. Vamos passar esse conhecimento aos nossos alunos”, disse.

Cerca de 60 agentes de saúde e endemias participaram do curso de Alexânia, que teve a presença do secretário de Saúde, Rafael Costa Gonçalves, durante a montagem da fossa ecológica. “Quando a Corumbá Concessões nos procurou para estabelecer esta parceria, abraçamos de antemão a ideia, para que pudéssemos ampliar os conhecimentos dos ACSs e dos ACEs. E em relação ao saneamento básico, foi importante os agentes verem, na prática, como construir uma fossa ecológica”. O secretário disse que planeja ampliar a tecnologia no município, podendo ser o projeto piloto da escola Lothar Schiller um local para visitas de interessados.

Na avaliação do técnico agropecuário Luciano Andrade, os cursos foram muito participativos e estão fazendo a diferença na vida e atuação dos agentes de saúde e endemias, em relação às questões de alimentação saudável e qualidade de vida. O primeiro curso do Programa de Atenção Básica em Saúde foi realizado em Luziânia, em outubro deste ano, e os próximos irão acontecer em Corumbá de Goiás (20 e 21/11), em Santo Antônio do Descoberto (26/11) e em Silvânia (3 e 4/12).

Ana Guaranys

Assessoria de Comunicação / Corumbá Concessões

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