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Temporada de “Microutopias Cotidianas Aglutinantes do Lugar” transforma a cidade em palco e amplia experiência para pessoas com deficiência visual

A cidade deixa de ser apenas cenário para tornar-se protagonista em “Microutopias Cotidianas Aglutinantes do Lugar”, criação da Anti Status Quo Companhia de Dança que retorna para uma temporada gratuita com apresentações de quarta à sábado, entre os dias 12 e 29 de agosto.

A obra convida o público a percorrer, a pé, um trajeto que parte das imediações do Centro de Dança do Distrito Federal e atravessa espaços cotidianos como os dos Setores Bancário Norte e Hoteleiro Norte revelando paisagens urbanas que normalmente passam despercebidas.

A criação é construída a partir de princípios da dança contemporânea, da intervenção urbana, da fotografia, do cinema e das artes visuais, recombinando diferentes formas de percorrer e perceber a cidade. Nesta edição, o projeto apresenta uma novidade: a estreia de uma versão concebida especialmente para pessoas com deficiência visual.

Realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), o projeto contempla 12 apresentações, três debates com o público, a oficina Corpo, Cidade e Microutopias, de compartilhamento da pesquisa, e uma residência artística com bailarinos profissionais do Distrito Federal, reafirmando a proposta da companhia de articular criação, pesquisa, formação, intercâmbio e acessibilidade.

Criado em 2019, “Microutopias Cotidianas Aglutinantes do Lugar” rompe com a lógica tradicional do espetáculo de dança ao substituir o palco pela cidade. O público percorre um trajeto previamente mapeado, no qual arquitetura, paisagem, corpo, memória e cotidiano tornam-se elementos da dramaturgia. Ao longo da caminhada, pequenas ações performativas transformam a percepção do espaço urbano e convidam o espectador a descobrir outras camadas da cidade.

A obra sintetiza mais de duas décadas da pesquisa Corpo e Cidade, desenvolvida desde 2003 pela diretora e coreógrafa Luciana Lara, dedicada a investigar as relações entre corpo, percepção e espaço urbano. Como a cidade está em permanente transformação, o espetáculo também se recria a cada temporada.

“Toda vez que este trabalho é apresentado, passa por um novo processo de criação, pois ele tem como base um mapeamento sensível de uma caminhada pela cidade e toda cidade está em contínua transformação. Com isso, é necessário refazer a cartografia, muitas vezes mudar o trajeto, gerando novos percursos, momentos coreográficos e imagens”, explica Luciana Lara.

A principal novidade desta temporada é a estreia de uma versão concebida especificamente para pessoas com deficiência visual. Em vez de adaptar o espetáculo original ou restringir-se à audiodescrição, a companhia desenvolveu uma nova experiência artística baseada em outras formas de percepção.

Ao longo do percurso, cada deficiente visual vivencia a obra em uma relação individual acompanhado de um artista-performer, que o conduz uma experiência singular. Como um “performer pessoal”, cada artista cria uma experiência única, concebida exclusivamente para aquele espectador, estabelecendo uma relação de confiança e escuta.

“Numa sociedade em que o sentido da visão protagoniza, pesquisar outras formas de perceber não só amplia nossa capacidade sensória como expande nossa capacidade de relação com o outro, de interpretação e concepção de mundo, redesenhando o que entendemos por experiência humana”, afirma Luciana Lara.

A criação dessa versão foi desenvolvida com a consultoria da audiodescritora Kleymara Kopavnick e da consultora cega Denise Melo, que acompanharam o processo criativo e contribuíram para que a pesquisa dialogasse diretamente com as experiências de pessoas com deficiência visual e suas especificidades perceptivas, ampliando as possibilidades de fruição da obra.

Fundada em 1988, a Anti Status Quo Companhia de Dança consolidou uma trajetória dedicada à pesquisa em dança contemporânea em diálogo com outras linguagens artísticas. Ao longo de 37 anos, desenvolveu um repertório marcado pela criação de instalações coreográficas, intervenções urbanas, performances in situ, trabalhos online e obras híbridas que expandem os limites da cena.Suas participações em importantes festivais nacionais e internacionais, tem projetado sua produção artística em circuitos de destaque da cena contemporânea.

À frente da companhia desde sua criação, Luciana Lara construiu uma trajetória reconhecida pela pesquisa em dramaturgias contemporâneas, processos criativos e relações entre corpo e cidade. Mestre em Artes pela Universidade de Brasília (UnB) e especialista em Coreografia e Coreologia pelo Laban Centre, em Londres, a artista desenvolve obras que aproximam dança, artes visuais, arquitetura, performance e intervenção urbana, consolidando-se como uma das principais pesquisadoras da dança contemporânea brasileira.

Além das apresentações, o projeto investe em ações de formação e intercâmbio artístico. A oficina “Corpo, Cidade e Microutopias”, ministrada por Luciana Lara, compartilha procedimentos desenvolvidos na pesquisa Corpo e Cidade, propondo exercícios de percepção, cartografia sensível e criação no espaço urbano. Destinada a artistas, estudantes, pesquisadores e interessados em geral, a atividade contará com interpretação em Libras.

A programação inclui ainda uma residência artística que reunirá cinco bailarinos profissionais do Distrito Federal e os artistas integrantes da Companhia em um processo de intercâmbio conduzido por Luciana Lara. Durante cinco semanas, os participantes vivenciarão os procedimentos criativos desenvolvidos pela Anti Status Quo e integrarão o elenco de “Microutopias Cotidianas Aglutinantes do Lugar”, participando de toda a temporada, inclusive da versão concebida para pessoas com deficiência visual.

Após cada uma das apresentações destinadas ao público com deficiência visual, serão realizados debates entre artistas da companhia e espectadores, criando um espaço para troca de experiências e reflexão sobre percepção, acessibilidade e criação artística.

SERVIÇO

Oficina “Corpo, Cidade e Microutopias”
Realizada dia 27 de julho de 2026

Com interpretação em Libras e emissão de certificado.

Inscrições: gratuitas pelo e-mail[email protected].

Microutopias Cotidianas Aglutinantes do Lugar

Temporada: de 12 a 29 de agosto de 2026

Ponto de encontro: Centro de Dança do Distrito Federal

Apresentações para o público em geral (acessíveis a pessoas com deficiência auditiva): dias 12, 13, 14, 19, 20, 21, 26, 27 e 28 de agosto, às 9h30. Sessões limitadas a 20 pessoas e com duração de 90 minutos

Versão concebida para pessoas com deficiência visual: dias 15, 22 e 29 de agosto, às 9h30. Sessões limitadas a 10 pessoas e com duração de 60 minutos

Classificação indicativa: livre para todas as pessoas

Debates: dias 15, 22 e 29 de agosto, logo após as apresentações.

Ingressos: gratuitos, com agendamento pelo e-mail [email protected].