Com temperaturas acima da média previstas para Goiás, iniciativas adotadas por diferentes setores incluem hidratação, pausas, proteção solar e orientação para reduzir os efeitos do calor
Setembro chega a Goiânia com temperaturas que exigem atenção redobrada à saúde e à rotina. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão para o mês indica temperaturas médias de até 1,5°C acima da climatologia em grande parte de Goiás. Diante do cenário de calor intenso, empresas, escolas e famílias precisam adaptar hábitos e reforçar medidas de prevenção, especialmente entre pessoas mais expostas ao sol e ao esforço físico.
O Ministério da Saúde recomenda, durante períodos de calor extremo, manter a hidratação, reduzir a exposição ao sol nos horários mais quentes e priorizar ambientes frescos. Para trabalhadores que atuam ao ar livre, a orientação inclui ainda a realização de pausas em locais com sombra e acesso a fontes de hidratação.
Segundo a pneumologista cooperada da Unimed Goiânia, Letícia Fereira, o calor intenso e a baixa umidade favorecem a desidratação e o ressecamento das mucosas do trato respiratório, comprometendo uma das barreiras naturais do organismo e aumentando a possibilidade de infecções respiratórias e crises de asma, bronquite e rinite. “Para esses trabalhadores, roupas leves, chapéus ou bonés, proteção solar e, especialmente, hidratação adequada são medidas essenciais”, orienta.
As crianças também estão entre os grupos que exigem maior atenção. Nas escolas, a pneumologista recomenda que atividades externas sejam remanejadas para ambientes internos nos períodos mais críticos, além de pausas regulares para hidratação e uso de roupas leves. De acordo com a médica, sinais como cansaço, fadiga, dor muscular ou de cabeça persistente, diminuição do volume urinário e sintomas respiratórios, como falta de ar, tosse e chiado no peito, merecem atenção e podem indicar a necessidade de avaliação médica.
Nas obras
Na construção civil, setor que reúne trabalhadores frequentemente expostos ao sol e ao esforço físico, a prevenção passa pela adaptação da rotina e pela orientação contínua das equipes. Na Sousa Andrade Construtora, os cuidados adotados nas obras incluem instruções durante os Diálogos Diários de Segurança (DDS), com reforço para a importância da hidratação e da realização de pausas programadas. A empresa também disponibiliza protetor solar aos trabalhadores.
As orientações são divulgadas em diferentes canais: além dos DDS, cards informativos são compartilhados nos grupos de WhatsApp das equipes e impressos para distribuição e afixação nos murais da obra. Neste mês, a construtora também iniciou distribuição de picolés, iniciativa que passou a ser realizada três vezes por semana e está sendo acompanhada de instruções aos trabalhadores sobre os cuidados necessários em situações de calor intenso.
“Além dos direcionamentos que já fazem parte da nossa rotina de segurança, buscamos criar ações que aproximem o trabalhador dessas medidas e reforcem, de forma prática, a importância de se hidratar, fazer as pausas e se proteger do sol. A distribuição dos picolés tem sido também um momento descontraído de conversar com a equipe e reforçar esses cuidados”, afirma Jônnatas Couto, coordenador de Saúde, Segurança do Trabalho e Meio Ambiente (SSMA) da Sousa Andrade Construtora.
Proposta pedagógica
Diante da importância da adoção de medidas por parte das escolas para refrescar os alunos durante os períodos de calor intenso e tempo seco, o Colégio Externato São José desenvolveu o brinquedo molhado, iniciativa que faz parte das atividades semanais da Educação Infantil incluídas na proposta pedagógica durante os meses de temperaturas elevadas em Goiânia. Os alunos entram em contato direto com a água e com a natureza, possibilitando o desenvolvimento de competências socioemocionais, como cooperação, respeito às regras e convivência em grupo, bem como habilidades motoras ligadas à coordenação, ao equilíbrio e à percepção corporal, enquanto se refrescam.
A diretora pedagógica do Externato São José, Tatiana Santana, comenta que a proposta do brinquedo molhado se mostrou altamente pertinente no contexto escolar. “Considerando as condições climáticas atuais, a ação foi estendida também aos estudantes dos Anos Iniciais, de forma planejada e supervisionada, assegurando que o caráter lúdico estivesse alinhado aos objetivos pedagógicos da escola. Dessa forma, a atividade contribuiu para a integração entre os alunos, promoveu bem-estar e reforçou o vínculo positivo entre criança e ambiente escolar”, explica a educadora.





