Leia mais

Mais lidas

Útimas notícias

Discursos em defesa do Festival de Cinema de Brasília dominam abertura do evento

“Como é bom e importante quando as coisas têm continuidade”. A fala foi da secretária de audiovisual do Ministério da Cultura, Joelma Oliveira Gonzaga, durante a cerimônia de abertura do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que ocorre de 11 a 19 de setembro.

É uma sensação de alívio e persistência que marcou o início do evento nesta sexta-feira (11).

O evento quase foi cancelado por falta de verbas da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF, mas, após manifestações nas redes sociais, foi confirmado pela governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP).

Valorização

Durante o discurso dos apresentadores Luiza Garofalo e Chico Santana, o Festival de Brasília foi destacado como um espaço de valorização da produção cinematográfica nacional. 

“A mobilização de realizadores e trabalhadores do audiovisual do Distrito Federal, junto com a participação de instituições, parceiros e principalmente do público, reafirmou a relevância do Festival de Brasília para a cidade e para o cinema brasileiro”, disse Garofalo.

“E, por isso, o festival é também um símbolo de resistência e perseverança. E segue como um dos grandes acontecimentos da cultura nacional”, complementou Santana.

A grande homenageada

Nesta edição, a atriz reconhecida pelo troféu Candango de Conjunto da Obra foi Julia Lemmertz. 

Foto: João Pedro Carvalho / Agência CLDF

Conhecida por longas como Um Copo de Cólera (1999)Meu Nome Não É Johnny (2008) e A Cor do Seu Destino (1986) — que foi exibido neste sábado (12) em sua homenagem —, a atriz possui uma história que se cruza com a do próprio festival.

Quando foi reconhecida pelo troféu Candango de Melhor Atriz, em 1986, Júlia conta que havia acabado de sofrer a perda de sua mãe, e, portanto, a homenagem traz o sentimento de um desfecho, ou um “gostinho”, como disse, de ter sua trajetória reconhecida em um “festival tão importante”.

“Para além de ser um festival longevo e tão aguerrido, tão corajoso, é um festival que toda vez que você vem com o filme para cá, você fica tendo a certeza de que você vai ser apreciado ou ou não apreciado com muita força. E isso é muito importante, porque você sabe que a chancela de um de um filme num festival como o Festival de Brasília é muito importante”, disse.

É dada a largada

A cerimônia de abertura foi marcada pelas exibições do curta-metragem Brasília: Planejamento Urbano (1964) e o longa A Pele Morta (2026).

Imagem: Reprodução

O primeiro, um filme documental sobre as origens de Brasília. Uma apresentação daquela que foi construída para ser a cidade do futuro. O diretor Fernando Cony Campos usou imagens da origem da capital, com uma narração descritiva, que nos permite observar qual era a “ideia original” para Brasília.

O diretor de fotografia Luís Abramo, filho de Cony Campos, não esteve presente na cerimônia, mas compartilhou com a organização uma mensagem de agradecimento pela exibição. 

“Para nós, a família, a exibição do Curta é mais um passo na recuperação da sua cinematografia. Posteriormente, Fernando teve os seus filmes premiados em alguns festivais em Brasília e com certeza vai estar muito feliz com essa homenagem”, compartilhou.

O longa de abertura, por sua vez, é A Pele Morta, de Denise Moraes e Bruno Fatumbi Torres. A produção acompanha um jovem rapper guarani-kaiowá, interpretado por Luan Iturve, em seu trabalho de fretista na fronteira entre o Paraguai e o Mato Grosso do Sul.

É contracenado pelo uruguaio César Troncoso, que dá vida a um caminhoneiro da fronteira, e a jovem Ivana Gomes, no papel de uma menina em busca de sua irmã mais velha.

Assim, mesmo com origens diferentes, os três personagens se juntam em uma estrada em comum e compartilham de suas ânsias e sofrimentos. No fundo, A Pele Morta é um ensaio sobre a vida entre territórios.

Na análise da diretora, Denise Moraes, A Pele Morta é um filme de “DNA” latino-americano, que fala sobre “um pertencimento que não está necessariamente ligado a um território fixo, mas constituindo os vínculos afetivos que a gente cria ao longo do caminho”.

“A gente precisa continuar olhando para os territórios indígenas do Brasil”, finaliza Bruno Fatumbi, co-diretor.

Por Artur Maldaner

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira