Modelo em tamanho real de agroindústria apresentado pela Emater-DF ensina agricultores familiares a agregar valor à produção
A Emater-DF vai apresentar, na AgroBrasília 2026, um modelo em tamanho real de agroindústria de pequeno porte voltado ao processamento de frutas, capaz de transformar excedentes e produtos com menor valor comercial em novas oportunidades de renda para agricultores familiares.
O Circuito Tecnológico da Agroindústria mostrará, na prática, como estruturar uma pequena fábrica para produção de polpas, geleias, doces, frutas desidratadas e outros derivados, aumentando o valor agregado da produção e ampliando o tempo de comercialização das frutas.
Desenvolvido pela Emater-DF, o modelo apresentado possui capacidade para processar aproximadamente 100 quilos de frutas por dia e foi planejado para atender pequenos e médios produtores, com estrutura adequada para até quatro manipuladores. A proposta contempla desde a organização dos espaços até o fluxo produtivo e as exigências sanitárias necessárias para comercialização segura dos alimentos.
Segundo o extensionista rural da Emater-DF Paulo Álvares, responsável pelo circuito este ano, o objetivo é preparar os produtores para o crescimento da fruticultura no Distrito Federal e evitar perdas na comercialização das frutas in natura.
“De uns anos para cá, a produção de frutas no DF tem aumentado cada vez mais, e frutas de qualidade. Além disso, temos a rota das frutas incentivando a implantação de novos pomares. Nos próximos anos teremos uma alta produção de frutas in natura, e essas frutas precisam ser colocadas no mercado”, afirma.
Ele explica que muitas frutas produzidas no Distrito Federal possuem alta perecibilidade, o que reduz o tempo de venda e impacta diretamente a renda do produtor.
“É possível comercializar essas frutas in natura? Sim, mas, por serem sensíveis, elas perdem qualidade rapidamente. Com isso, a produção precisa ser vendida muito rápido, muitas vezes a preços baixos, reduzindo a possibilidade de ganho do produtor”, destaca.
Espécies como açaí e mirtilo estão entre os exemplos de frutas que exigem maior cuidado no pós-colheita e que podem ter melhor aproveitamento quando destinadas ao beneficiamento.
O modelo
O modelo de agroindústria apresentado no circuito é baseado nos princípios de organização espacial e fluxo produtivo limpo descritos no manual Agroindústrias Rurais, da Emater-DF. A estrutura prevê áreas específicas para recepção, lavagem, processamento, armazenamento e expedição dos produtos, reduzindo riscos de contaminação e garantindo segurança alimentar.
A proposta também contempla boas práticas de fabricação, controle higiênico-sanitário, separação entre áreas frias e quentes de processamento, além de orientações sobre armazenamento, rotulagem e conservação dos alimentos. O modelo inclui ainda soluções sustentáveis para destinação de resíduos orgânicos e tratamento de efluentes.
“O ideal é ter essa estrutura mínima de beneficiamento para aproveitar o alto valor agregado dessas frutas, aumentar o tempo de prateleira e utilizar aquilo que não tem valor comercial para produzir polpas, geleias, sucos e outros derivados”, explica Paulo Álvares.
A intenção da Emater-DF é mostrar que a agroindustrialização não é uma realidade distante da agricultura familiar, mas uma estratégia viável para aumentar a renda, reduzir desperdícios e ampliar mercados quando há planejamento e assistência técnica.
Manual
A Emater-DF disponibiliza gratuitamente o manual Modelos de agroindústrias rurais: produtos de origem vegetal. A publicação reúne orientações técnicas sobre estrutura física, fluxo produtivo, organização dos ambientes, equipamentos e boas práticas de fabricação para agroindústrias de pequeno porte voltadas à agricultura familiar.
O material pode ser acessado gratuitamente em: Manual Modelos de Agroindústrias Rurais – Produtos de Origem VegetalServiço
AgroBrasília 2026
Data – 19 a 23 de maio de 2026 (terça a sábado)
Horário – 9h às 17h
Local – Parque Tecnológico Ivaldo Cenci – BR-251, km 5, Brasília-DF





