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Da ginástica olímpica ao picadeiro: ex-ginasta leva ao palco trajetória artística, com POR UM TRIZ

O que acontece quando um sonho é interrompido de forma abrupta? Em POR UM TRIZ, a acrobata Beatrice Martins revisita a própria história para transformar uma experiência marcada pela dor em uma celebração da potência do corpo, da memória e da arte. Com realização do coletivo Instrumento de Ver e direção de Raquel Karro, o espetáculo será apresentado no sábado (15/8), às 18h, e no domingo (16/8), às 17h, no Galpão Hugo Rodas, do Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul). A entrada é gratuita, com retirada de ingressos pelo Sympla, tanto no sábado,  quanto no domingo

A montagem parte da trajetória de Beatrice, que teve a carreira na ginástica artística interrompida após sobreviver ao acidente envolvendo a equipe do Clube de Regatas do Flamengo, em 1997, uma tragédia que marcou a história do esporte brasileiro. Anos depois, é no circo que ela encontra um novo caminho. O espetáculo converte a experiência da ruptura em matéria para a criação artística.

Mais do que narrar um episódio biográfico, POR UM TRIZ propõe uma autoficção em que a memória é revisitada, reinventada e ressignificada. Em cena, a artista percorre a travessia entre o ginásio e o picadeiro, conduzindo o público por uma narrativa que mistura acrobacia, teatro e poesia, em uma celebração aos circos clássico e contemporâneo. 

A trajetória da artista é o fio condutor do espetáculo, mas não a principal motivação para materializá-lo no palco. “O espetáculo perpassa a minha trajetória porque é, também, documental. Mas a minha motivação principal veio da vontade de voltar aos palcos para apresentar a minha pesquisa com a dança, as acrobacias e os trapézios. Em seguida, o desejo de voltar a trabalhar com a Raquel, com quem eu sinto muita afinidade na pesquisa da linguagem cênica, mais especificamente circense”, revela Beatrice.

Após a apresentação de sábado, a artista e a equipe participarão de um bate-papo com o público, aberto a comentários e perguntas sobre o espetáculo e o processo de criação da obra. As duas apresentações contarão com intérpretes de Libras. No sábado, a montagem também contará com audiodescrição.

A remontagem

O primeiro encontro com Raquel foi ainda em 2009, quando Beatrice a convidou para dirigir um número de trapézio. Em 2015, a dupla cria a primeira versão do espetáculo que retorna aos palcos este mês. 

“O que é mais desafiante é também o que dá mais prazer, é o que me nutre como diretora e dramaturga: contar uma história enquanto exercito meu olhar pra cena, enquanto esgarçamos as linguagens, descobrimos uma linguagem. Fazer com que a história se perca nas fisicalidades, teatralidades e estados de presença. Inventar um mundo, um recorte, dentro dos tantos limites que o tempo e os meios de produção nos apresentam, limites esses que se impõem e nos orientam, ou re-orientam. A realidade do corpo, do alcance da voz, da potência da cena para cada intérprete, porque eu crio para e com a Bia, mas também estico a corda e provoco ela em novas zonas de risco”, avalia a Raquel. 

Raquel Karro é mestre em Artes da Cena pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com pesquisa acerca de possíveis atravessamentos entre teatro e performance, é graduada em dança pela Faculdade Angel Vianna, e em circo pela Escola Nacional de Circo do Rio de Janeiro. No circo, Raquel tem passagens pelas companhias Intrépida Trupe e Cirque du Soleil. Como dramaturga e coreógrafa de circo, assinou cinco espetáculos cujas temáticas investigam a relação cena/intérprete, entre eles: O que me toca é meu também (2012) e POR UM TRIZ (2015), ambos com os membros do coletivo Instrumento de Ver, do Distrito Federal; CAVALA e CONSOLO, ambos com Alice Cunha de Salvador BH; e Ilustre Desconhecido, com Carol Cony, do Rio de Janeiro.

A remontagem reafirma o espetáculo como uma investigação sobre o tempo, o corpo e a permanência. Um corpo que insiste, resiste e se deixa atravessar pelas experiências vividas. Uma história que continua sendo escrita, mesmo quando retorna ao passado para reler um acontecimento sob perspectivas mais maduras. 

Ao transformar a própria biografia em linguagem cênica, Beatrice convida o público a refletir sobre os caminhos inesperados da vida e sobre a capacidade humana de reinventar o futuro a partir das interrupções. O resultado é uma obra sensível, potente e profundamente humana, em que o circo deixa de ser apenas técnica para tornar-se espaço de elaboração, memória e liberdade.

“Por Um Triz é um espetáculo em que estou só em cena, mas envolve todo o coletivo Instrumento de Ver, desde a sua criação até a esta remontagem”, completa a artista. 

A artista 

Beatrice Martins é acrobata com mais de três décadas de trajetória. Iniciou na ginástica artística aos 5 anos de idade, integrou a Seleção Nacional na adolescência e consolidou sua atuação no circo a partir do início dos anos 2000. Com o coletivo Instrumento de Ver, participa de criações com circulação nacional e internacional, atuando como intérprete-criadora, diretora, realizadora, comunicadora e um pouco mais.

Com o curta-metragem EXUFRIDA, dirigido por Cícero Fraga, os artistas receberam os prêmios de Melhor Filme pela escolha da audiência, no Raksa Ciné-Danse du Monde 2019 (França); Melhor Filme pela escolha da audiência, no Sans Souci Dance Film Festival edição drive-in  2020 (EUA); e Melhor Performer pela escolha do júri, no no FuoriFormato Festival 2021 (Itália).

O projeto Remontagem POR UM TRIZ é realizado pelo coletivo Instrumento de Ver, com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal e apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec). 

Ficha Artística:

Com BEATRICE MARTINS | Direção e dramaturgia de RAQUEL KARRO | Assistência de direção de JULIA HENNING | Direção técnica e rigger LUKAS MARTT | Coreografias de BEATRICE MARTINS e RAQUEL KARRO | Figurino e cenografia de ROUSTANG CARRILHO | Desenho de luz de EULER OLIVEIRA | Trilha sonora original de LUIZ OLIVIERI | Fotografias de ESTEFÂNIA DÁLIA e JOÃO SAENGER | Vídeos projetados de CÍCERO FRAGA e COMOVA

Serviço – Espetáculo Por um Triz 

15 de agosto (sábado)

Horário: 18h

Acessibilidade: Libras e audiodescrição

16 de agosto (domingo)

Horário: 17h

Acessibilidade: Libras

Local: Galpão Hugo Rodas – Espaço Cultural Renato Russo

Ingresso: Gratuito

Sábado:https://www.sympla.com.br/evento/por-um-triz-sabado/3504786 

Domingo: https://www.sympla.com.br/evento/por-um-triz-domingo/3504790