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Setembro Vermelho: protocolo de dor torácica reduz tempo de atendimento e preserva o músculo cardíaco na emergência

A campanha de Setembro Vermelho e o Dia Mundial do Coração (29/09) reforçam a conscientização pública sobre o manejo de urgência das doenças cardiovasculares. No Brasil, as enfermidades cardíacas lideram as estatísticas de mortalidade, sendo responsáveis por cerca de 400 mil óbitos anuais, indicador que representa mais de 1.100 mortes diárias, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Estimativas do Ministério da Saúde apontam a ocorrência de 300 mil a 400 mil casos de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) por ano no país. Contudo, aproximadamente 30% das vítimas evoluem para óbito antes de receber qualquer socorro hospitalar, quadro frequentemente agravado pelo atraso na busca por atendimento e pela falta de reconhecimento dos sintomas precoces.

Para enfrentar esse cenário, as quatro unidades do Hospital Santa Lúcia (HSL) em Brasília – Sul, Norte, Gama e Taguatinga – operam com um Protocolo de Dor Torácica estruturado, alinhado a protocolos globais. A linha de cuidado integra triagem imediata, corpo clínico presencial 24 horas, suporte hemodinâmico e acompanhamento multidisciplinar especializado, com o objetivo de reduzir o tempo entre a entrada do paciente e o respectivo desfecho intervencionista, que pode variar de acordo com o quadro constatado.

Reconhecimento dos sintomas

A identificação rápida de uma emergência coronariana é o primeiro passo para o sucesso terapêutico. A dor torácica clássica manifesta-se como uma sensação de aperto, pressão ou peso no peito, podendo vir acompanhada de suor frio, falta de ar, náuseas, tontura ou irradiação para o braço esquerdo, ombro, costas, pescoço e mandíbula.

Entretanto, as apresentações clínicas atípicas, que vão além da forte dor no peito (e podem até nem incluí-la), são frequentes e demandam vigilância dobrada, conforme alerta a coordenadora de cardiologia do Hospital Santa Lúcia Norte (HSLN), Dra. Anna Paola Pereira. Qualquer dor ou desconforto entre a mandíbula e a cicatriz umbilical que persista por mais de 10 minutos exige avaliação médica imediata.

“Algumas pessoas podem sentir apenas queimação ou desconforto na região do estômago, falta de ar, cansaço súbito, náusea, dor nas costas ou até formigamento nos braços. Esses sintomas menos típicos ocorrem especialmente em mulheres, idosos e pessoas com diabetes, acabando, muitas vezes, por atrasar a procura pelo pronto-socorro”, observa a médica.

A enfermeira Tatyane Nascimento, gerente assistencial da linha de cuidados NeuroCardioVascular do Hospital Santa Lúcia, reforça que o paciente não deve aguardar o agravamento do quadro em casa. “Dor na boca do estômago, queimação, dor nas costas ou no braço podem parecer problemas comuns, mas também podem fazer parte de uma apresentação cardiovascular. Enquanto a artéria permanece obstruída, o músculo do coração fica sem receber sangue e oxigênio, sofrendo lesões irreversíveis que aumentam o risco de insuficiência cardíaca e óbito”, adverte.

“Tempo é músculo”

O manuseio da síndrome coronariana aguda é pautado pela premissa médica de que “tempo é músculo”. Quanto mais rápido o fluxo sanguíneo for reestabelecido, maior será a quantidade de tecido cardíaco preservado e menores serão as sequelas a longo prazo.

“Com essa expressão, queremos dizer que uma artéria do coração está fechada e parte do órgão deixou de receber oxigênio”, explica a Dra. Anna Paola Pereira. “Cada minuto conta. Quanto mais rapidamente reconhecemos o infarto e desobstruímos o vaso, maiores são as chances de preservar a função cardíaca, diminuir complicações e garantir uma boa recuperação.”

As diretrizes mundiais de cardiologia estabelecem duas metas temporais críticas para o atendimento de emergência:
Tempo porta-eletrocardiograma: realização do eletrocardiograma (ECG) e primeira interpretação médica em até 10 minutos após a entrada do paciente no hospital;
Tempo porta-balão: intervalo de no máximo 90 minutos entre a chegada à emergência e a desobstrução da artéria responsável pelo infarto por meio de angioplastia na hemodinâmica (ou até 120 minutos caso o paciente precise ser transferido de uma unidade sem recursos para outra que realize o procedimento).

Fluxo de atendimento

Para assegurar o cumprimento das metas internacionais, as emergências dos hospitais do Grupo Santa implementaram uma logística que prioriza o paciente com suspeita de infarto antes mesmo da conclusão do cadastro administrativo, conforme assegura o coordenador assistencial e enfermeiro Júnior Rodrigues, do Hospital Santa Lúcia Sul.

“Nosso fluxo foi estruturado para que o paciente com dor no peito seja identificado e atendido o mais rapidamente possível. Assim que chega ao pronto-socorro, a queixa é identificada no primeiro contato”, detalha. “A Auxiliar de Atenção ao Cliente encaminha o paciente imediatamente para a sala de eletrocardiograma, sem que ele precise aguardar no fluxo convencional da recepção. Na própria sala é realizada a triagem e o ECG, enquanto a entrada no protocolo é sinalizada em um painel de gestão em tempo real para toda a equipe assistencial.”

O arranjo físico do pronto-socorro do Santa Lúcia Sul foi projetado para acelerar o diagnóstico: o consultório da cardiologia é posicionado ao lado da sala de ECG, eliminando deslocamentos, com cardiologista disponível 24 horas no pronto-socorro e técnico de enfermagem exclusivo para a realização do ECG 24 horas. A integração estende-se ao suporte de exames laboratoriais e à equipe de intervenção. O enfermeiro conta que o protocolo ágil de EGC chega a ser feito em 1 minuto em alguns casos, com tempo médio porta-ECG de 6 minutos.

“As amostras de sangue para análise de marcadores de necrose miocárdica, como a troponina, são transportadas ao laboratório em uma embalagem vermelha, que sinaliza prioridade máxima no processamento. Quando o eletrocardiograma confirma o infarto agudo com supradesnivelamento do segmento ST (IAM com supra), a equipe da Hemodinâmica é acionada imediatamente para preparar a angioplastia primária”, complementa Júnior Rodrigues.

Qualidade assistencial

A manutenção do alto padrão assistencial nas quatro unidades do Hospital Santa Lúcia no DF é assegurada por auditorias diárias e monitoramento contínuo dos indicadores de desempenho. A equipe de enfermagem passa por treinamentos constantes para o reconhecimento imediato dos sinais de alerta. “Além disso, realizamos semanalmente o ‘Rito do Pronto-Socorro’, uma reunião em que discutimos os casos da semana com as equipes assistenciais. Identificamos gargalos, analisamos oportunidades de melhoria e definimos planos de ação imediatos, fortalecendo a cultura de segurança do paciente”, assegura Júnior.

Estrutura de alta complexidade

Após o diagnóstico de obstrução coronariana, o Hospital Santa Lúcia dispõe de uma infraestrutura integrada para o tratamento definitivo. O serviço contempla salas de Hemodinâmica 24 horas para a realização de cateterismo e angioplastia com implante de stent, além de centro cirúrgico preparado para cirurgias de revascularização do miocárdio, além da opção de cirurgia cardíaca robótica para alguns casos.

A jornada do paciente é acompanhada de forma contínua por um modelo especializado de gestão assistencial. “No Grupo Santa, o cuidado vai além do diagnóstico e do tratamento na emergência”, destaca Tatyane Nascimento. “Enfermeiras Navegadoras especializadas acompanham a jornada do paciente de forma integrada, desde a admissão até o período pós-alta. Esse suporte próximo garante a continuidade do cuidado, orienta sobre a adesão ao tratamento e contribui para os melhores desfechos clínicos e qualidade de vida.”

Prevenção dos fatores de risco

A principal mensagem do Setembro Vermelho foca na prevenção primária. Hipertensão arterial, diabetes mellitus, colesterol elevado, obesidade e tabagismo são fatores de risco silenciosos que danificam a parede dos vasos sanguíneos ao longo de anos sem apresentar sintomas.

“Medir a pressão arterial, realizar exames laboratoriais periódicos, praticar atividades físicas, manter uma alimentação equilibrada e não fumar são atitudes simples que modificam o risco cardiovascular. O Dia Mundial do Coração lembra que não precisamos esperar o órgão dar um sinal de alerta para começar a cuidar dele”, conclui a Dra. Anna Paola Pereira.

Arte, saúde e Brasília

Como parte da campanha de Setembro Vermelho, o Hospital Santa Lúcia convidou o artista brasiliense Toys para criar um coração pulsante, elemento central de uma narrativa que aproxima a conscientização sobre a saúde cardiovascular do universo da arte. Na composição criada para a campanha “Se é de Coração… É Santa Lúcia”, as imagens foram escolhidas para representar vitalidade e saúde. “A ideia foi trazer um ícone que já aparece nos meus desenhos: o coração humano. Quero que esse elemento transmita energia e força, características marcantes de uma vida saudável”, afirma Toys.

A identidade brasiliense também atravessa a obra. Foi nas ruas da capital que o artista, nascido em 1991, começou a trabalhar com spray e grafite, transformando a cidade em espaço de criação. “Brasília me deu voz. As ruas foram o meu ateliê e o meu caderno de desenho. O céu, a arquitetura, as avenidas largas, o design e as cores da cidade fazem parte do meu trabalho”, conta.

O processo de criação, dos primeiros desenhos à mão livre até a finalização digital, será registrado em uma colaboração nas redes sociais com o artista. Para Toys, a iniciativa reforça a capacidade da arte de despertar emoções positivas e contribuir para o bem-estar. “A arte tem um papel fundamental nas emoções e nos sentimentos. Ela pode inspirar, motivar e levar esperança e cor às pessoas”, conclui.

A identidade visual criada por Toys também estará presente nas “Cartas de Coração”, ação que convida pacientes da linha cardiovascular do Hospital Santa Lúcia a escrever mensagens de agradecimento às equipes que os acompanharam. Algumas entregas serão realizadas de surpresa e registradas para documentar histórias construídas entre profissionais, pacientes e familiares. Fora do ambiente hospitalar, o coração ganhará as ruas de Brasília com uma animação exibida no painel Boulevard.Live, no Conic, ampliando o convite ao cuidado com a saúde cardiovascular em uma das principais vias da cidade.