O Festival Micarê 2026 encerrou sua edição neste sábado, 2 de maio, com saldo positivo e a certeza de que Brasília está definitivamente conectada ao circuito das grandes micaretas do país. Durante dois dias, milhares de foliões ocuparam o estacionamento do Mané Garrincha para celebrar o axé em uma programação que reuniu nomes históricos do gênero e reafirmou a força de uma cultura que atravessa gerações.
Pelo trio elétrico passaram Tuca, Rafa & Pipo, Filhos do Brasil, Durval Lelys, Bell Marques, nos dois dias, além de Xanddy, Tomate e Timbalada, mantendo a energia alta do início ao fim e transformando o feriado prolongado em um grande reencontro entre diferentes gerações de micareteiros.
Para Rodrigo Verri, um dos organizadores do festival, o resultado desta edição confirma o amadurecimento do evento na capital.
“O Micarê se consolidou como um ponto de encontro. É uma festa que reúne quem viveu a explosão das micaretas nos anos 90 e quem está descobrindo agora essa energia. Brasília mostrou mais uma vez que tem público, tem memória afetiva e tem vontade de viver essa experiência.”
Mais do que números e estrutura, a edição deste ano evidenciou um movimento que vem se fortalecendo: o da transmissão do axé entre gerações.
Para Marcelo Piano, um dos produtores do festival, essa conexão tem um significado pessoal. “Minha história com o axé começou lá atrás, nos anos 80, quando a cena era completamente diferente. Quando o axé chegou, ele trouxe uma energia nova, leve, coletiva. E hoje viver isso ao lado do meu filho tem um peso muito especial. Ver essa nova geração cantando músicas que marcaram a nossa juventude mostra que o axé nunca parou. Ele só se renovou.”
Segundo ele, a força do gênero está justamente nessa capacidade de se reinventar sem perder sua essência. “O trio elétrico, o abadá, aquela energia da multidão, tudo isso continua encantando. A diferença é que agora a gente vive isso também como passagem de bastão. É uma herança afetiva.”
A presença de artistas que marcaram diferentes fases do axé ajudou a reforçar esse caráter intergeracional da festa. Ícones que embalaram a geração que viveu o auge das micaretas dividiram espaço com nomes que seguem renovando o gênero, criando uma ponte entre passado e presente.
Com estrutura robusta, alta procura por ingressos e público expressivo nos dois dias, com mais de 4 mil foliões de todo o Brasil que lotaram os hotéis no entorno, o festival encerra 2026 com a missão cumprida.
Para Rodrigo Verri, o maior saldo é simbólico. “Quando você vê pais, filhos, grupos de amigos de diferentes idades vivendo a mesma emoção atrás do trio, entende que o Micarê vai muito além de um evento. Ele é memória afetiva em movimento.”






