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A história de Dulcina de Moraes levada às escolas de Samambaia

Pelo segundo ano consecutivo, o projeto “Dulcina de Moraes – Literatura nas escolas” oferece a professores de Samambaia a possibilidade de receberem de graça livros infantojuvenis que contam a história da grande dama do teatro brasileiro. 

O legado de uma das maiores referências do teatro brasileiro agora chega às mãos das novas gerações. O Coletivo Editorial Maria Cobogó está doando 500 exemplares do livro “Dulcina de Moraes” a escolas públicas do Distrito Federal, em uma ação voltada para estudantes do Ensino Fundamental, Médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) de Samambaia

Escrita por Ana Maria Lopes e Márcia Zarur, a obra conta a trajetória da atriz e diretora Dulcina de Moraes com leveza e emoção. O livro integra a coleção Mestres Cobogós, que homenageia grandes nomes da cultura de Brasília. Com financiamento do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF, o projeto contempla ainda um encarte pedagógico e, pelo segundo ano consecutivo, tem forte adesão da comunidade educacional, comprovando sua relevância.

A publicação apresenta Dulcina narrando sua própria história: sua infância, o amor pelo também ator Odilon Azevedo, a militância pela profissionalização da carreira artística e sua luta contra a censura. A narrativa aborda ainda a ousadia da artista ao fundar uma escola de teatro na então nascente Brasília — sonho que seguiu mesmo após a morte do marido.

O livro conta com coordenação pedagógica de Solange Cianni, pesquisa teatral de Josuel Junior e projeto gráfico de Beatriz Socha, que elaborou intervenções visuais sobre fotos originais do acervo da Fundação Brasileira de Teatro (FBT). Além de ter como parceiro o Clube de Leitura Calangos Leitores, a produção também envolveu ex-alunos da Faculdade Dulcina, como Jullya Graciela e Jhony Gomantos, responsáveis pela organização e distribuição dos livros. A coordenação administrativa do projeto é assinada por Suene Karim e a consultoria jurídica por Christiane Nóbrega.

A obra também traz fotos raras e registros pessoais cedidos por artistas e pioneiros do DF que conviveram com Dulcina, como Rosina Chaves e Natanry Osório, além de documentos resgatados por voluntários em processos recentes de inventário e pesquisa no acervo da FBT.

QUEM FOI DULCINA?

Dulcina de Moraes foi, sem dúvidas, uma das grandes atrizes brasileiras do século passado. Em entrevista, a consagrada e incontestável atriz Fernanda Montenegro se refere a Dulcina como “a maior personalidade das artes cênicas do século XX”. Nascida em 1908, passou a fazer teatro ainda na adolescência com a Companhia Brasileira de Comédia de Viriato Corrêa. No final da década de 1920 se casou com o ator e empresário Odilon Azevedo e, juntos, criaram a Companhia Dulcina-Odilon, que se tornou uma das mais badaladas da época.

Porém, o grande sonho de Dulcina, que além de atuar era uma militante ativa na busca de reconhecimento e na evolução da classe artística, era abrir uma Fundação. Assim, em 1955, Odilon comprou o Teatro Regina, situado no Centro do Rio de Janeiro, trocou o nome para Teatro Dulcina e doou o empreendimento para que fosse possível criar a Fundação Brasileira de Teatro (FBT). Em pleno regime militar, Dulcina e diferentes artistas se mobilizaram na luta pelo reconhecimento da profissão e pelo fim da censura.

Em 2025, o “Ideário de Dulcina de Moraes no Ensino e no Fazer Teatral Brasileiro” foi inscrito no Livro dos Saberes por meio de votação do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural, reconhecendo-o como Patrimônio Imaterial do Distrito Federal. Com essa iniciativa de publicar uma nova edição da coleção Mestres Cobogós, o Coletivo Maria Cobogó reafirma seu compromisso com a valorização da memória cultural brasiliense, estimulando o acesso à literatura e à história por meio da educação pública.

A distribuição dos livros é gratuita e será realizada durante o mês de agosto, mediante cadastro, que pode ser feito por meio do telefone 061984871551. Serão distribuídos, ainda, 50 exemplares em braille para a Biblioteca Dorina Nowill, em Taguatinga, além da gravação da versão em audiodescrição, que será encaminhada a professores que lecionam para alunos com deficiência visual.