A coletânea “Cinema Negro no Feminino: afeto e pertencimento além das telas”, organizada por Ceiça Ferreira e Edileuza Penha de Souza é uma das cinco finalistas do 3º Prêmio Jabuti Acadêmico 2026, na categoria Artes.
Publicada pela Nau Editora em 2025, a obra propõe uma tecitura de saberes inspirada no barafunda, técnica de bordado ancestral preservada por mulheres negras nos terreiros de Candomblé. Artigos, ensaios e entrevistas se entrelaçam para revelar caminhos, poéticas, processos criativos e epistemologias que constituem o cinema negro no feminino.
Resultado de cinco anos de pesquisa, realizada por Ceiça e Edileuza, o livro que foi viabilizado com recursos do Edital Rouanet nas Favelas 2024, agrega contribuições de pesquisadoras, curadoras, cineastas e profissionais do audiovisual brasileiro.
Os textos estão organizados em quatro eixos que contemplam desde a atuação de mulheres negras nas telas e no fazer cinema como um campo de pesquisa; ressaltam as trajetórias de pioneiras como Adelia Sampaio (no Rio de Janeiro) e Antonia Ágape (na Paraíba); analisam as poéticas e técnicas de diretoras negras em produções ficcionais, documentais, de animação e que conectam o audiovisual a arte contemporânea; e por fim, discutem o âmbito da crítica, da curadoria e dos espaços de exibição, com textos sobre a Egbé – Mostra de Cinema Negro de Sergipe e a Mostra Competitiva de Cinema Negro Adelia Sampaio, em Brasília.
Em sua terceira edição, o Prêmio Jabuti Acadêmico recebeu mais de duas mil inscrições e selecionou 135 obras finalistas, distribuídas em 27 categorias dos eixos Ciência e Cultura ou Prêmios Especiais. Trata-se de uma importante distinção que reconhece a contribuição de autoras e autores, editoras e demais profissionais envolvidos na cadeia editorial, cujo trabalho é fundamental para a produção, a qualificação e a disseminação do conhecimento.
“É uma honra ter nosso livro como finalista deste prêmio, é o reconhecimento de um projeto tecido por várias mãos. Este livro oferece ferramentas teóricas, metodológicas e conceituais para a análise da produção audiovisual feita por diretoras negras brasileiras, destaca Ceiça Ferreira.
As organizadoras têm uma parceria de longa data em atividades de pesquisa, curadoria e prática cineclubista, sempre ressaltando a produção de mulheres, principalmente negras.
Ceiça é professora e pesquisadora do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás (UEG); também é idealizadora e diretora do Cineclube Maria Grampinho, que destaca os cinemas negros. Doutora em Comunicação pela Universidade de Brasília (UnB), atua nas áreas de comunicação, artes, gênero e raça no cinema e no audiovisual. Em 2025 coordenou as exposições “O Sertão é nosso centro” e “Poéticas de Subversão: Mulheres artistas em Goiás” (Centro Cultural Octo Marques, Goiânia/GO) e em 2024, foi co-organizadora da coletânea “Águas Correntes: Mulheres no Audiovisual do Centro-Oeste” (Editora da UEG).
Doutora em Educação e pós-doutora em Comunicação pela UnB, Edileuza Penha de Souza é cineasta, curadora, pesquisadora e professora vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Cidadania do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (PPGDH/Ceam/UnB). Também é idealizadora e coordenadora Mostra Competitiva de Cinema Negro Adelia Sampaio e entre seus trabalhos, vale destacar o curta “Filhas de Lavadeiras” (2019), vencedor do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro em 2021; e o longa “Vozes e Vãos” (2025, em parceria com Edymara Diniz), premiado na categoria melhor direção no Festival de Brasília.
A cerimônia de entrega do Prêmio Jabuti Acadêmico 2026 será na próxima terça-feira, 11 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. O evento será transmitido ao vivo pelo canal da Câmara Brasileira do Livro no YouTube.
“Sinto uma alegria em dose dupla com essa indicação, como pesquisadora e como cineasta. Ainda enfrentamos muitos desafios no mercado editorial e é fundamental termos mais publicações sobre como mulheres negras têm feito do cinema um espaço de invenção, resistência e memória”, afirma Edileuza Penha de Souza.
Desde outubro de 2025, quando foi lançado em Belém/PA no Encontro da Socine (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual), o livro “Cinema Negro no Feminino: afeto e pertencimento além das telas”, fez um amplo percurso de lançamentos em eventos acadêmicos e mostras e festivais de cinema; e também integrou a bibliografia indicada para a seleção de mestrado de doutorado da Universidade Federal Fluminense (UFF).





