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Sem enxergar, Luciano Ambrósio fotografa Brasília e o Goiás, e lança livro sobre esse olhar

Antes de apertar o botão da câmera, Luciano Ambrósio já viu a cena , só que não com os olhos. Cego, ele reconhece o espaço ao redor pelo tato, pela textura do chão sob os pés, pela inclinação do terreno, pelos sons ao seu redor. Só então usa um aplicativo que descreve imagens em voz alta para confirmar o enquadramento e, finalmente, fotografar. A editora do livro é a Art Letras.

O processo, construído ao longo de anos, dá nome e forma ao seu novo livro: Meu Olhar, que será lançado no dia 17, às 18h30, na Biblioteca Luiz Gama, no Senado Federal.

A obra reúne fotografias e poesias de Luciano, duas linguagens que, para ele, se completam. “Nem a fotografia por si só diz tudo o que eu quero dizer. Ela dá uma pista, o resto é com quem está vendo”, explica. Na poesia, ele busca falar de fé, espiritualidade e otimismo, temas que, segundo ele, revelam o que está “nas entrelinhas”, aquilo que a imagem sozinha não alcança.

Luciano não esconde as marcas de um enquadramento feito sem visão: um leve tremor, uma composição menos previsível. Para ele, isso não diminui a fotografia, pelo contrário, é o que a torna autêntica. “Isso caracteriza bem que é uma foto de um cego, de uma pessoa com um olhar diferenciado”, diz.

Mais do que mostrar imagens e versos, o autor espera que Meu Olhar aproxime as pessoas de sua própria humanidade. “Quero que o leitor se reconheça ali, nas coisas que eu vejo e na forma como escrevo. Independentemente de eu ser cego e você enxergar, em essência somos todos iguais, é nessa humanidade que a gente se encontra.”

Serviço Lançamento do livro Meu Olhar, de Luciano Abrósio Data: dia 17 de novembro, às 18h30 Local: Biblioteca Luiz Gama – Senado Federal Entrada gratuita

Imagem: Nina Camelo

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