Em um canteiro de obras, todos os dias começam cedo. Há o barulho das máquinas, o ritmo acelerado do trabalho, as metas a cumprir e uma rotina que exige atenção constante. Mas, por trás do capacete e do uniforme, existem também histórias, famílias, preocupações e sentimentos que nem sempre encontram espaço para serem compartilhados.
A importância de buscar ajuda ganha um significado ainda mais concreto na história de Ismael Souza que encontrou no Serviço Social da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Seconci-DF) o apoio necessário em um dos momentos mais difíceis de sua vida. Ao enfrentar um período de profundo sofrimento emocional, ele conta que chegou a pensar em desistir da própria vida. “Eu estava adoecido e já estava quase desistindo da vida, pensando em dar um fim a ela. Se eu não tivesse pedido ajuda, talvez não estivesse mais aqui. Hoje, quando me olho no espelho, me sinto bem feliz”, conta.
A experiência de Ismael representa a importância de criar espaços de escuta e acolhimento para os trabalhadores da construção civil. “Quando uma pessoa fala em suicídio, mesmo que de forma indireta, essa fala precisa de atenção. É um sinal de sofrimento e um pedido de ajuda que não deve ser ignorado. Acolher, ouvir sem julgamentos e buscar apoio são atitudes fundamentais”, explica a psicóloga do Seconci-DF, Flávia Ferraiolo. É com esse propósito que o Seconci-DF intensifica, durante o Setembro Amarelo, mês de prevenção do suicídio, as ações de conscientização sobre saúde mental e valorização da vida entre os trabalhadores da construção civil do Distrito Federal.
Ao longo do mês, palestras e atividades nos canteiros de obras irão abordar a importância de cuidar da saúde emocional, reconhecer sinais de sofrimento e buscar ajuda. A expectativa é que sejam alcançados mais de 2,5 mil trabalhadores, em 30 canteiros e frentes de trabalho. “Quando uma pessoa está passando por uma situação difícil, muitas vezes ela não consegue perceber que precisa de ajuda ou não encontra forças para procurá-la. Ter alguém que escute, acolha e mostre que existe um caminho pode fazer toda a diferença”, afirma Roseane dos Santos, assistente social do Seconci-DF.
Atendimento psicossocial o ano todo
O trabalho, porém, não se restringe ao mês de setembro. Durante todo o ano, o Seconci-DF realiza triagens psicossociais e, quando necessário, os trabalhadores são encaminhados para o atendimento psicológico disponível na instituição. O serviço gratuito está disponível para todos os trabalhadores das empresas parceiras.
“O Setembro Amarelo amplia a visibilidade para um tema que precisa ser tratado permanentemente. Saúde mental também é saúde do trabalhador, e falar sobre isso ajuda a diminuir preconceitos e a aproximar as pessoas da ajuda que precisam”, destaca Roseane.
Norma Regulamentadora nº 01 (NR-01)
A saúde mental também passou a ocupar um espaço mais estratégico na gestão da segurança do trabalho. Com as mudanças da Norma Regulamentadora nº 01 (NR-01), em vigor desde maio de 2026, as empresas precisam incorporar ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) a análise de fatores psicossociais relacionados ao trabalho, entre eles situações de estresse, assédio, esgotamento profissional, sobrecarga e problemas relacionados ao ambiente e à organização do trabalho.
Para apoiar o setor da construção civil nesse novo cenário, o Seconci-DF criou metodologia própria e está apoiando as empresas parceiras no levantamento dos riscos psicossociais relacionados ao trabalho nos canteiros. Desde de maio, o levantamento já foi realizado em 15 empresas, com levantamento feito entre centenas de trabalhadores.
Atendimentos
Os trabalhadores que necessitarem de atendimento psicossocial podem procurar o RH ou a área de Segurança do Trabalho da empresa onde atuam para solicitar o agendamento junto ao Seconci-DF. As empresas também podem solicitar atendimento por meio do projeto Seconci Presente.




