No futebol, títulos contam histórias, mas são as torcidas que as mantêm vivas. No Distrito Federal, o Gama reúne a maior torcida e transforma o verde do escudo em uma linguagem comum entre gerações de apaixonados. É tradição, não é moda.
O Gama está na final do campeonato candango mais uma vez e esses torcedores já têm compromisso para o próximo sábado. Vão vibrar no jogo contra o Sobradinho, no Mané Garrincha, às 16h.
Espalhados por toda Brasília, milhares de torcedores fazem do clube alviverde um dos mais fortes símbolos de identidade popular da capital do país.
Para muitos, torcer por um time de Brasília não faz sentido. Sem calendário cheio e, muitas vezes, sem jogos por meses, parte dos torcedores acabam distante dos estádios. Mas, para entender a paixão do torcedor do Gama, é preciso ir além da razão e superar os debates sobre investimento, títulos e resultados. É necessário entender a maior virtude do futebol, o sentimento de pertencimento.
“Eu nasci gamense. O Gama não é escolha, é nascimento. É uma questão espiritual, eu respiro o Gama, vivo o Gama e morro pelo Gama. Isso é para a vida toda. Eu nasci assim e vou seguir até o último respirar da minha vida”, disse André Maluf, torcedor Alviverde.

Paixão antiga
Fundado há 50 anos, a história do Gama se mistura com a própria história da cidade. O clube rapidamente se tornou um dos principais ícones do futebol do Distrito Federal. Ao longo das décadas, o time acumulou momentos marcantes, entre eles o maior título de toda a sua história, a conquista do Campeonato Brasileiro Série B em 1998.
Além disso, o Gama é o maior campeão do Campeonato Candango, com 14 conquistas. O Alviverde é também o atual detentor do troféu da competição, e tem a oportunidade de chegar ao segundo título consecutivo neste sábado (21), às 16h, no Mané Garrincha. A equipe medirá forças contra o Sobradinho na final da competição.
Grande parte desses momentos marcantes, também foram construídas no Bezerrão, inaugurado em 1977, o estádio já foi palco de partidas históricas e ponto de encontro de gerações de torcedores que cresceram acompanhando o Alviverde.
Entre os torcedores que carregam essas memórias está Sérgio Luís, frequentador antigo do Gama, e presença constante nas arquibancadas do Bezerrão. “Já vi grandes jogos aqui. Já vi até o Romário jogar no antigo terrão. São lembranças muito marcantes para a gente”, contou o Gamense.
Para ele, acompanhar o Gama ao longo dos anos se tornou parte da própria rotina. “O Gama é uma parte muito importante da nossa comunidade. Eu acompanho esse time há muito tempo e sempre que posso estou presente”, afirmou.
Sérgio não esconde a felicidade ao falar sobre a situação atual da torcida do Gama e reflete sobre os tempos antigos no qual frequentou o Bezerrão.
“É muito bom ver essa torcida voltar a lotar o estádio como a gente está vendo hoje. Quando o estádio ainda era diferente, a gente já frequentava aqui com a turma toda. Inclusive eu sempre chamo meus amigos para vir”, relembra o torcedor.

De pai para filho
Nas arquibancadas do Bezerrão, o amor pelo clube ultrapassa gerações. Pai, filhos e netos compartilham o mesmo espaço, e transformam o estádio em um ambiente onde a paixão pelo alviverde candango é transmitida em diversas famílias.
Acompanhando seus filhos, o torcedor Diego Freitas destacou a importância de manter viva essa tradição, que para ele é grandiosa.
“É muito bom estar aqui com a família, passando esse amor de pai para filho”, afirmou Diego.
Nascido e criado na cidade, Diego conta que sua relação com o clube começou desde a infância , quando fazia de tudo para assistir aos jogos no estádio. “ Desde pequenininho eu pulava o muro do Bezerrão pra ver o jogo. Sempre tive contato com isso aqui”. Contou.
Para o torcedor Sérgio Luiz, essa ligação com o clube também está presente em sua casa. “Meu filho, sobrinho…. Agora o neto também já vai passar a acompanhar os jogos”. Afirmou.
Quem também vive essa tradição familiar é a torcedora Anitta. Nascida e criada na cidade do Gama. Para ela, o amor pelo clube sempre existiu dentro da família. “Minha família é toda Gama, tenho duas filhas, genro e neto.”
Segundo ela, o neto já começa a acompanhar essa paixão alviverde desde cedo. “Meu neto tem dois anos e já veio ao estádio também”
Amor incondicional
Ser gamense é carregar no peito um amor que não depende de vitórias ou derrotas, pois é mais legítimo sofrer com uma camisa que representa seu povo do que se contentar com aquilo que pertence aos outros.
É uma fidelidade silenciosa e profunda, que nasce nas ruas e se fortalece nas arquibancadas, onde cada grito parece misturar orgulho, memória e resistência. Para o torcedor Brenner Maluf, a vivência do Gama ocorre 24 horas por dia.
“A gente mora numa cidade que, querendo ou não, é uma cidade bem-feita. Tem arte, cultura, etc. Então a gente vive isso aqui independente de calendário ou não. A gente vive isso aqui 24 horas por dia. Não é só o estádio, a comunidade em si é muito acolhedora. O Gama é isso: amor, paixão. É uma questão espiritual.”
O amor pelo Gama para seus torcedores é incondicional, para Diogo Freitas essa história de amor começou desde pequeno em sua vida.
“Eu pulava o muro do Bezerrão para ver jogo quando era criança, no antigo estádio. Joguei na escolinha do Gama, do professor Jaime. Sempre tive contato com isso aqui. Sou nascido e criado no Gama”, afirmou Diogo.
Por Lucas Alarcão e Lucas Soares
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira



