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ONG Amigos da Vida promove seminário sobre Educação Comunitária para a Saúde

A ONG Amigos da Vida promoveu, na quinta-feira (5/11), o Seminário Educação Comunitária para a Saúde, realizado no IESB da Asa Sul, em Brasília. O encontro reuniu profissionais da saúde, educadores e representantes da comunidade para discutir temas relacionados à promoção da saúde, à prevenção de doenças e aos direitos humanos.

O seminário celebrou um ciclo de conscientização desenvolvido pela organização desde outubro de 2025 em escolas do Distrito Federal. Nesse período, mais de mil estudantes de mais de 12 instituições de ensino participaram de atividades que incluíram palestras, podcasts e um jogo de cartas sobre a prevenção ao HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A iniciativa buscou fortalecer a educação entre pares e divulgar as tecnologias de prevenção disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de uma linguagem simples e acessível.

Para Christiano Ramos, presidente da ONG Amigos da Vida, a desinformação ainda representa um dos principais desafios no enfrentamento das ISTs, especialmente entre adolescentes e jovens. “A falta de informação sobre as formas de transmissão e prevenção faz com que muitos jovens tenham uma baixa percepção do risco de infecção. Precisamos ampliar o diálogo e levar conhecimento de maneira acessível, principalmente para o ambiente escolar”, destaca.

A preocupação é reforçada por dados nacionais. Segundo informações divulgadas pelo UNICEF Brasil, em parceria com o UNAIDS e a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/aids (RNAJVHA), 41% dos 43.403 casos de HIV notificados no Brasil em 2022 ocorreram entre pessoas de 15 a 29 anos.

“A ideia do seminário foi incentivar a multiplicação do conhecimento, aproximando profissionais da saúde, professores e estudantes. A proposta é que as informações compartilhadas durante o encontro sejam levadas às salas de aula e, posteriormente, às famílias e comunidades”, explica Beth Bogéa, gerente de projetos da ONG Amigos da Vida.

Vozes que acolhem e transformam

A programação trouxe reflexões sobre os desafios da vida contemporânea e seus impactos na saúde mental. A psicóloga e psicanalista Midiã Fernandes convidou o público a questionar a lógica da performance e a reconhecer os próprios limites diante do ritmo acelerado da sociedade. “Quando pensamos e começamos a aceitar essas limitações, nos tornamos mais humanos e começamos a administrar aquilo que realmente damos conta, e não esse ideal que queremos alcançar”, pontuou.

Em seguida, a psicóloga clínica e social Maria Fernanda abordou a saúde da mulher, destacando a importância do autoconhecimento, da autenticidade e do cuidado integral, considerando as transformações físicas e hormonais, além das pressões sociais e estéticas que fazem parte do universo feminino.

No encerramento das palestras, o psicólogo Rafael Machado e a advogada Ana Clara Herval discutiram os impactos do estigma associado às doenças infecciosas. Rafael ressaltou a importância de olhar para o indivíduo além do diagnóstico, enquanto Ana Clara abordou os direitos fundamentais, o sigilo profissional e a ética na assistência à saúde. “É fundamental garantir um atendimento humanizado, acolhedor e respeitoso, livre de discriminação”, destacou a advogada.

Jogo educativo aproxima jovens da prevenção

O encontro também contou com a apresentação de um jogo educativo de 30 cartas, desenvolvido pela ONG Amigos da Vida para conscientizar adolescentes e jovens sobre o HIV e outras ISTs. Aprovado pelo Ministério da Saúde, o material reúne perguntas, desafios e situações do cotidiano, estimulando o aprendizado e a participação dos estudantes de forma lúdica e interativa.

“O jogo foi uma maneira que encontramos para nos aproximarmos dos adolescentes e falarmos sobre as ISTs de forma lúdica, utilizando uma linguagem que eles compreendem. Queremos despertar o interesse, estimular a participação e mostrar que a informação é fundamental para a prevenção”, explica Beth Bogéa.

O enfermeiro Clístenes Mendonça, que participou da elaboração do material, ressalta que a iniciativa vai além da transmissão de conteúdos. “O diferencial do jogo está em estimular o diálogo, a reflexão crítica e o combate ao preconceito. É uma ferramenta que valoriza o protagonismo juvenil e mostra como a educação entre pares pode contribuir para a promoção da saúde e dos direitos humanos”, afirma.

Sobre a ONG Amigos da Vida

Fundada em Brasília, em 21 de agosto de 2000, por Christiano Ramos, a ONG Amigos da Vida é uma organização sem fins lucrativos dedicada à prevenção ao HIV/aids, à promoção da saúde e à defesa dos direitos humanos. Ao longo de sua trajetória, a entidade desenvolve ações de conscientização, assistência e apoio a pessoas vivendo com HIV, além de iniciativas voltadas a crianças, adolescentes e populações em situação de vulnerabilidade.

Mais informações: @ongamigosdavida